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Não é difícil compreender estes argumentos. Enquanto no cinema e na televisão o telespectador tem uma postura passiva em relação à mídia, os games trazem o jogador "para dentro" da história. Cada vez mais os jogos assumem características realistas de simulação - ou mesmo de criação - de fatos e lugares. Jogos como "Grand Theft Auto", "Splinter Cell" e "Medal of Honor: Allied Assault" impressionam pelo realismo dos seus gráficos e pela forma como trabalham as ações dos protagonistas. "Grand Theft Auto", em especial, é um dos mais criticados por especialistas, por colocar o jogador na pele de um presidiário que foge da cadeia e começa a cometer uma série de crimes deliberadamente.
Estes jogos, embora envolvam o jogador profundamente, ainda trabalham com enredos bastante lineares, com uma seqüência de ações bem definidas. Nos últimos anos, porém, um estilo de jogo se popularizou rapidamente entre os chamados "gamers hardcore" (aqueles que jogam exaustivamente). Os MMORPG (Massive Multiplayer Online Role Playing Game), são jogos que reproduzem determinados mundos, onde centenas, ou mesmo milhares, de jogadores interagem. Além disso, dão liberdade para que o jogador possa agir livremente, desde que desempenhe o "papel" que escolheu.
Essa construção de um mundo virtual idealizado reflete, de certa maneira, a idéia contida na trilogia Matrix. Embora sejam refugiados, que vivem escondidos do poder das máquinas, Neo, Trinity, Morpheus e os demais humanos retirados do mainframe assumem poderes sobre-humanos no mundo virtual. É essa possibilidade que atrai os usuários para os MMORPG. Um dos mais famosos deste estilo, chamado "Everquest", conta, atualmente, com uma base de 500 mil usuários cadastrados.
"Para os jogadores, o fator principal nestes games é poder integrar um mundo fora do nosso, onde podem ser mais do que conseguem na realidade", explica o professor do departamento de pós-graduação em Desenvolvimento de Jogos para Computadores da Unicenp (Centro Universitário Positivo), Fábio Vinícius Binder. "Nesta realidade virtual, ele pode ser o melhor guerreiro, o melhor mago, pode até ser o rei do lugar. De certa maneira, é algo como uma fuga da realidade".
Binder acrescenta ainda que não acredita que o mercado de MMORPGs mantenha o ritmo de crescimento que vivenciou nos últimos dois anos. Segundo ele, isso deve acontecer porque apenas os gamers "hardcore" têm preocupação com o nível de realismo dos jogos, enquanto os jogadores casuais ainda se envolvem com o entretenimento eletrônico apenas pela diversão que ele proporciona. "O jogador hardcore busca uma experiência de imersão. Ele quer se sentir dentro do jogo, dentro daquele universo. Para os demais, vale a diversão momentânea", opina.
Grande parte das empresas, porém, continua apostando no interesse dos gamers na imersão que estes jogos proporcionam. Nos próximos meses, três grandes franquias ganharão seus MMORPG, o que deve movimentar o mercado. O primeiro que deve ser lançado é "Star Wars: Galaxies". No início de 2004, o primeiro grande lançamento deve ficar para o MMORGP baseado em "O Senhor dos Anéis". O outro - adivinhe - será "Matrix Online", que dará aos gamers a oportunidade de interagir e combater com seus personagens em pleno mundo de Matrix.
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