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Prêmio Empreendedorismo

Entre os projetos, destacam-se iniciativas que promovem a redução de impactos ambientais e melhora da qualidade de vida da população

Publicado em 25/11/2005 - 00:01

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Criar um prêmio que incentive e aposte em idéias inovadoras pode ser uma excelente estratégia para promover uma tempestade de propostas criativas. No Prêmio de Empreendedorismo promovido pelo Santander Banespa, em parceria com o Universia, porém, a criatividade pura e simples não foi o destaque, mas, sim, o grande número de propostas inovadoras que tinham como objetivo reduzir os impactos sobre o meio ambiente e, ainda, facilitar o dia-a-dia da população promovendo seu bem-estar e uma melhora em sua qualidade de vida.

O grande vencedor

Entre as iniciativas que obtiveram destaque, uma delas seria agraciada com um prêmio bônus no valor de R$ 50 mil, sendo reconhecida como a grande campeã. Aquela que, pela excelência de sua proposta, teria o maior destaque na categoria. Este feito foi alcançado pela proposta do aluno do curso de graduação em Biologia da FURB (Universidade Regional de Blumenau) Rui Vieira. O estudante desenvolveu um solvente ecológico e biodegradável que promete reduzir os danos ao meio ambiente. Isto porque o novo produto pode substituir os derivados de petróleo na solvência dos desinfetantes. "Ele é biodegradável, não é tóxico, não tem cheiro e não é inflamável", explica o estudante.

Para desenvolver esta idéia, Vieira buscou referências em sua experiência profissional. Ele, que trabalhou em empresas de dedetização e conheceu bem as necessidades do mercado, ao entrar na faculdade decidiu aliar seu conhecimento prático às teorias e desenvolver nos laboratórios do curso um solvente biodegradável. "O risco desse projeto é baixo, já que o solvente foi desenvolvido a partir de uma demanda do mercado. As empresas querem oferecer um produto eficiente e inofensivo para o ser humano e sem riscos para o patrimônio dos clientes e danos ao meio ambiente", afirma Vieira.

A fórmula foi testada em duas empresas de Blumenau, com resultados interessantes, e Rui já deu entrada nos documentos para registrá-la, o primeiro passo para colocar o produto no mercado. Como sua intenção era divulgar a idéia e procurar um parceiro para explorar o mercado, ele decidiu inscrever-se no Prêmio de Empreendedorismo promovido pelo Santander Banespa em parceria com o Universia.

No fim das contas, resultado melhor seria impossível. O acadêmico saiu do concurso com uma certificação de qualidade de seu produto, já que ele foi o maior dos premiados, levando R$ 100 mil em premiação. Agora, este é mais um impulso para que Vieira mostre a qualidade de sua produção e possa disponibilizá-la no mercado. "Sem dúvida é a oportunidade que faltava para viabilizar a continuação do projeto e ampliar nossas possibilidades de comercialização", encerra.

Clique para conferir detalhes do trabalho premiado.


Atenção à Agricultura

Em diferentes segmentos, estudantes e profissionais conseguiram mostrar como é possível desenvolver uma idéia que se traduza em benefícios para a sociedade. O projeto do estudante de mestrado em Engenharia Elétrica da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) Alexandre Greff Buaes é o primeiro de uma série de exemplos. Para facilitar o dia-a-dia de quem trabalha com a Agricultura, ele idealizou um produto chamado "Medidor Eletrônico de Dureza do Solo" e serviços a ele agregados.

O equipamento portátilé composto de uma haste metálica usada para penetrar o solo, ligada a uma célula de carga e a um medidor de profundidade por ultra-som que funciona como leitor de dados. Ele identifica a localização geográfica da medição e mostra os valores em um display de cristal líquido, além de armazenar as leituras em um cartão de memória removível. Os dados coletados podem ser transferidos para um PC e manipulados com um avançado software de visualização e análise, permitindo ao usuário processar os dados com muita rapidez e clareza.

Ele, que decidiu participar do prêmio pela vontade de empreender, conta que, por si só, o concurso funciona como teste para verificar se a idéia é viável ou não. A premiação recebida, no entanto, é uma comprovação da qualidade da idéia e de que há condições para que ela saia do papel. "Isto também significa muito para o ramo de investimentos tecnológicos em Agropecuária, que atualmente recebe bem menos atenção e recursos do que outros setores, apesar de ser de enorme importância estratégica para o futuro social e econômico do país", diz.

O estudante diz que pretende investir integralmente os R$ 50 mil recebidos no prêmio neste projeto. "Graças a esta verba conseguiremos crescer mais rapidamente como empresa, teremos o produto pronto mais cedo e poderemos fazer uma boa divulgação. Isto beneficiará principalmente os clientes, pois desde já existe uma grande demanda pelo produto", finaliza.

Clique para conferir detalhes do trabalho premiado.


Redução do impacto ambiental

De olho na questão da utilização e aproveitamento de recursos naturais, o engenheiro mecânico, professor da UNITAU (Universidade de Taubaté) e doutorando em Energia pela UNESP (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho) Ederaldo Godoy Junior decidiu criar um projeto que estimulasse consultoria, fabricação e comercialização de mini-estações de tratamento de esgoto e reuso de águas (chamadas miniEETERAs), como também, um sistema de co-geração de energia ou aquecimento de água por biogás. Segundo ele, o público-alvo são infra-estruturas prediais de condomínios verticais, setor terciário e industrial, bem como condomínios horizontais, bairros ou pequenas comunidades desprovidas de tratamento de esgoto.

Embora já existam trabalhos parecidos, o pesquisador acredita que seu projeto pode alavancar um empreendimento ímpar promotor de saneamento ambiental associado à energização renovável. Em especial porque o caráter inovador de sua idéia está relacionado à tecnologia patenteada do produto. "Os produtos existentes no mercado usam tecnologias americanas e japonesas desenvolvidas para países de clima temperado e por isso têm menor eficiência", revela.

Apesar de ter sido contemplado, o pesquisador ainda não sabe que destino dará ao seu projeto, mas acredita que, se colocado em prática, ele poderá colaborar para a melhoria do meio ambiente diminuindo o desgaste dos recursos naturais. "Sem dúvida, haverá uma diminuição do impacto ambiental causado pelo descarte dos esgotos in natura nos corpos de água e gases estufa (CO2 + CH4) presentes no biogás gerado na biodegradação natural dos esgotos", encerra.

Clique para conferir detalhes do trabalho premiado.

Novas soluções para a construção civil

Atenção com o meio ambiente também foi o que motivou o engenheiro civil da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), mestre e doutor em Ciência e Engenharia de Materiais, Guilherme Fábio de Melo a procurar uma solução que reduzisse o impacto ambiental causado pelos materiais utilizados nas construções civis e, por isso, decidisse participar do Prêmio de Empreendedorismo.

Desde seu doutorado desenvolvendo o projeto ISO-BLOK, um compósito de materias reciclados para reduções de custos e impacto ambiental na construção civil, o pesquisador viu no prêmio a oportunidade que lhe faltava para viabilizar financeiramente sua idéia. "Foi a chance de poder tornar realidade projetos inovadores que oferecerão à sociedade melhores produtos e serviços", afirma.

Agraciado com o prêmio no valor de R$ 50 mil, o pesquisador vê a chance de tornar seu grande sonho realidade e planeja divulgar expressivamente sua idéia para que ela possa chegar ao mercado o quanto antes. "Os blocos servem para preenchimento de lajes treliçadas e pré-moldadas; tijolos para construção de paredes internas; placas de isolamento térmico e acústico para telhados, paredes e pisos e juntas de dilatação e por isso prometem boa aceitação no mercado", diz. "Além disso, estes são produtos inteligentes. Pretendo disseminar sua qualidade e relevância ao maior número de pessoas possível", enfatiza.

Clique para conferir detalhes do trabalho premiado.


Certificação da qualidade do leite

A qualidade do leite consumido pela população foi o gancho do trabalho do mestrando em Engenheira Elétrica da UNESP (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho) Guilherme Martinhon. O pesquisador criou um equipamento para caracterização de leite, utilizando o ultra-som como princípio de funcionamento. Tecnologia que terá a capacidade de determinar, com uma única amostra e sem o uso de qualquer reagente químico, os parâmetros hoje determinados pelos métodos químicos: teor de gordura, quantidade de água adicionada, lactose, teor de proteína e sólidos.

Segundo Martinhon, uma das vantagens é que a tecnologia de ultra-som utilizada não provoca alterações nos materiais inspecionados. O equipamento também terá tamanho reduzido permitindo que os testes possam ser realizados em campo, sem que haja necessidade da estrutura hoje utilizada pelos laboratórios químicos convencionais. Além disso, as medições poderão ser armazenadas numa memória interna para depois serem transferidas para um microcomputador. "Isto permitirá a geração de um banco de dados do rebanho e o acompanhamento da evolução da qualidade do leite produzido na propriedade", explica.

Com tantas questões apontando a qualidade e a relevância de seu projeto, faltava ao pesquisador a comprovação da viabilidade econômica e comercial. Por isso decidiu participar do Prêmio de Empreendedorismo. "Achei que seria uma ótima oportunidade de avaliar a aceitação do meu projeto. Mas, acima de tudo isto, é claro, pela chance de ver meu sonho de ter minha própria empresa se tornar realidade, a partir da premiação oferecida", destaca.

Agora que ele se consagrou como um dos ganhadores, Martinhon pretende concluir seu mestrado para dar início à concretização de seu projeto. "Espero em pouco mais de um ano já estar de portas abertas atendendo aos clientes e divulgando a tecnologia utilizada pelo produto a ser produzido", idealiza.

Clique para conferir detalhes do trabalho premiado.


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