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Publicado em
05/01/2006 - 11:33
Fonte: Portal Universia
Por Lilian Burgardt
Guardar uma nota de um dólar na carteira junto com folhas de louro ou vestir peças de roupa amarelas na virada do ano podem ser boas superstições para atrair dinheiro em 2006. Porém, sem querer jogar um balde de água fria nas crenças populares, é fato que dinheiro não cai do céu. Sendo assim, se você quer passar o próximo ano sem precisar pedi-lo emprestado, mas, sim, ter grana de sobra para gastar, além de apostar nas "simpatias", organize-se e comece a economizar.
Sua primeira missão, a partir de agora, é fazer um bom planejamento das finanças, isto é, colocar no papel tudo aquilo que você precisa pagar mensalmente, além de seus sonhos de consumo, em curto, médio e longo prazo. Assim, ficará mais fácil saber o que é possível comprar com sua mesada/salário sem prejudicar o orçamento e tampouco abrir mão do tão sonhado videogame ou daquela viagem de férias com a galera. "Desde cedo o jovem tem que aprender a estabelecer prioridades. Por isso, listar suas despesas pode ser uma excelente medida", diz o professor de pós-graduação de Economia da PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) Duílio de Ávilla Bêrni.
Colocar no papel os gastos fixos, como por exemplo, aluguel, caso o jovem more fora de casa; despesas com transporte; alimentação; e aquilo com que se pretende gastar como viagens ou aparelhos eletrônicos, na opinião de especialistas, ajuda o jovem a perceber se ele realmente precisa de determinados utensílios ou se é apenas "fogo de palha". "Especialmente na juventude, onde a relação com o dinheiro ainda é inicial, a lista funciona como um verdadeiro guia", acrescenta o professor de economia do Ibmec São Paulo Ricardo Almeida.
Estabelecendo metas
Quem nunca ouviu falar na famosa dica de estabelecer metas em curto, médio e longo prazo para organizar as finanças? Para especialistas, esta é uma das medidas mais eficientes no que se refere ao planejamento financeiro. Mas antes de sair por aí planejando comprar um computador novo daqui a seis meses, acampar com a galera em três e comprar aquele som maneiro na semana que vem, deve-se dar prioridade a difícil tarefa de saldar dívidas antigas, especialmente se elas estiverem ligadas a sua faculdade. Isto porque a educação sempre deve vir em primeiro lugar.
Segundo especialistas, as altas taxas de juros que correm hoje pelo país tornam a maré menos favorável para acumular dívidas, já que elas contribuem para o aumento do valor do débito, ou, pior, comprometem a credibilidade do indivíduo caso seu nome apresente restrições em instituições de proteção ao crédito.
Vale lembrar que cada vez mais os jovens com até 20 anos de idade engrossam o grupo dos inadimplentes. Números da Associação Comercial de São Paulo revelam que em setembro de 2005 cresceu 6% o número de jovens endividados frente a estatísticas do ano anterior. Comportamento que, muitas vezes, se deve ao consumismo desmedido. "Em boa parte dos casos falta orientação. Em outros, o que compromete é a própria desorganização", revela Bêrni.
Quanto e como poupar?
Existem diversas formas de poupar, desde manter o famoso "porquinho" para guardar moedas, a fim de salvá-lo em situações emergenciais - como a falta de dinheiro para comprar a passagem de ônibus, por exemplo -, até uma conta poupança para guardar com cuidado as reservas do salário. "A conta poupança é interessante e garante que o dinheiro acumulado possa estar seguro e rendendo enquanto estiver parado", explica o professor.
Quando o tema é quanto poupar, as opiniões divergem. Há especialistas que defendem o estabelecimento de um percentual da renda a ser poupado por mês e, também, os radicalmente contra esta idéia. "O ideal é poupar de 10% a 15% do salário para ficar em uma situação estável e ter reserva para emergências", diz o professor Bêrni. Já o especialista do Ibmec São Paulo Ricardo Almeida, acredita que se prender a esta percentagem faz com que o jovem, em muitos casos, deixe de se divertir e se preocupe apenas em ter o percentual para poupar no fim do mês.
Para ele, o ideal é separar as despesas em três categorias: fixas, essenciais e supérfluas. A primeira composta pelo aluguel, despesas com transporte e alimentação. A segunda, com viagens para casa dos pais, caso more fora ou, com gastos com livros e despesas da faculdade e supérfluas como uma balada, compras de CDs e outros utensílios. "Após essa divisão, o jovem devem ver o que sobra do salário e guardar de acordo com suas prioridades. Sabendo, é claro, que ele deverá conter as despesas com os supérfluos caso queira investir na compra de um carro, por exemplo."
Na hora de abrir a carteira, outra dica de economia é evitar compras no crediário, a menos que o preço das parcelas seja realmente irresistível e, pagando à vista, seja impossível de se barganhar um valor mais baixo. "A compra parcelada pode ser uma armadilha", revela Almeida. Ao passo que se imagina estar economizando, o valor dos juros embutidos pode encarecer ainda mais o produto", alerta Almeida.
Para o consultor financeiro Cláudio Boriola, na hora das compras é importante ler com atenção as cláusulas sobre as datas de vencimento, evitando surpresas posteriores. Isso vale, e muito, na hora de fechar o contrato do aluguel da república, ou da quitinete estudantil, ainda mais porque organização e boa memória nem sempre são características inerentes aos jovens. "O ideal é não comprometer mais do que um terço do orçamento com essas despesas e mantê-las pagas sempre em dia para evitar as tradicionais multas e juros cobrados dos inquilinos", alerta Boriola.
Outra dica, válida para os jovens que já trabalham, é evitar que o 13° salário vire a "tábua de salvação" para saldar dívidas antigas. Para especialistas, eventualmente ele pode ajudar a honrar compromissos. No entanto, o ideal é que sirva como um bônus, tanto para promover o descanso das férias ou trazer um big presente para alegrar o Natal de quem passou o ano todo trabalhando com afinco.
Fonte: Boriola Consultoria