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Unindo Ciência, Tecnologia e Arte: Uma Carreira para os Bem-Ajustados ou para os Perdidos

Por Michelle Lee*
Kitchener, Ontário
Canadá


Se você é parecido comigo, entrou para a universidade com apenas uma vaga idéia do que queria fazer com seu diploma quando se formasse. Se você é ainda mais parecido comigo, escolheu uma formação científica não por que era sua paixão, mas por que foi convencido por seus mentores, ou pela mídia, que os "verdadeiros empregos" só existiam nos setores científico, matemático e tecnológico da sociedade. Aqueles que não almejavam a ciência ou diplomas de ciência aplicada ("os artistas", como meu pai, um engenheiro mecânico e meu irmão os chamavam) não tinham fibra para serem bem-sucedidos no mundo real de cálculos e experiências científicas rigorosas.

Embora essa opinião prevalecente sobre os não-formados em ciência seja raramente válida, existe uma inegável vantagem em se ter um diploma científico. É um "visto de entrada" para vários caminhos profissionais diferentes. Por sorte, descobri bem cedo que meu diploma científico não precisava seguir o caminho da pesquisa absoluta. Essa clareza surgiu durante meu breve ensaio como cientista na divisão de espécies em extinção da Environment Canada.

Quando trabalhava lá, comecei a sentir vontade de ter mais liberdade criativa e mais contato com gente. Notei que sentia alguma inveja do pessoal do desktop publishing e os projetistas de Internet que contratávamos para produzir nossas publicações e web sites. Em silêncio cobiçava o emprego da encarregada de comunicações que sentava no cubículo ao meu lado e passava seus dias ao telefone organizando novos projetos educativos do governo. Como seria bom poder criar e se comunicar! Como seria gratificante poder chegar ao fim do dia com um produto feito por você!

Logo depois que cheguei a este novo estado de conscientização, assumi um cargo como editora administrativa encarregada em uma publicação científica indexada online chamada Conservation Ecology. No começo, não tinha a completa noção de onde estava me metendo, mas rapidamente aprendi que um editor administrativo é responsável pelo fluxo tranqüilo de cada edição e por sua conclusão dentro do prazo. Conhecia o processo de revisão dos revisores somente sobre o ponto de vista de uma estudante de pós-graduação, mestrado e doutorado tentando desesperadamente publicar seus trabalhos antes que esquecesse completamente o que havia sido estudado.

Logo, mergulhei na psicologia e ética do processo de indexação de artigos sob a ótica da publicação. Motivar cientistas ocupados para que oferecessem o serviço gratuito de revisão e edição de manuscritos é uma tarefa difícil e requere diplomacia, persistência e segurança de si. A produção de edições no prazo certo exige o gerenciamento de cada um dos links da cadeia da publicação, desde submissão de manuscritos à publicação do artigo.

A gestão de pessoas saciou minha fome por contato humano. Embora muito deste contato seja feito através de mensagens de e-mail e telefonemas cobrando revisores e editores os texto atrasados, a comunicação em geral tem sido surpreendentemente positiva. Se isso é por que a maioria dos pesquisadores científicos é extremamente gentil e complacente, ou pela possibilidade mais provável que os autores colaboradores confundem meu trabalho de editora administrativa com o de editora chefe (que tem o poder de decidir o que é ou não publicado), não sei bem ao certo.

De qualquer forma, o gerenciamento das atividades dos copy desks, que são remunerados, e de uma grande rede de editores e revisores voluntários, tem me ajudado e melhorar minhas habilidades de comunicação e organização. Descobri que a procrastinação não é opção no mundo editorial. Uma tarefa ignorada, se deixada de lado tempo bastante, pode levar a uma série de pequenos desastres que culminam numa onda seqüencial de autores aborrecidos, revisores frustrados e numa editora administrativa muito envergonhada.

O infinito potencial de uma publicação online também saciou minha sede por criatividade. Meus primeiros meses como editora administrativa encarregada se concentraram em aprender HTML, Java Script e Unix o quanto antes, de forma que pudesse simplesmente manter a publicação em seu nível básico de funcionamento. Uma vez que passei a dominar a linguagem de hipertexto, as possibilidades do mundo editorial online estouraram conforme fui descobrindo o potencial pouco explorado que a mídia eletrônica tem para melhorar a comunicação científica e estimular o diálogo.

Estas oportunidades iam desde a melhora do "visual e percepção" do periódico à geração de oportunidades para discussões científicas em tempo real sobre os artigos publicados e o fortalecimento das relações entre a pesquisa científica e a aplicada. Habilidades em Web design e desktop publishing são algumas das óbvias ferramentas necessárias para realizar estes objetivos. Outras incluem sólidas habilidades em raciocínio criativo para impor novas idéias e a perseverança para vingar tais idéias.

Para mim, o mundo editorial científico é a perfeita união de ciência, tecnologia e arte. Permitiu que eu continuasse trabalhando no campo científico, mas numa capacidade mais comunicativa e criativa. Finalmente a lacuna entre minha vontade de trabalhar em uma área respeitável e meu desejo de criar foi fechada. Sou "uma artista" e com muito orgulho!

*Traduzido por Karen Shishiptorova