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18/11/2004


Gestor ambiental ganha espaço nas empresas


As questões relativas ao meio ambiente estão cada vez mais no centro das decisões de negócios. Um estudo da Câmara Brasil-Alemanha aponta que os investimentos em tecnologias ambientais no país já ultrapassam US$ 3 bilhões. E a previsão é de que os gastos nessa área tenham uma expansão anual acima dos 5%.

Nesse contexto, um profissional que ganha mais espaço dentro das grandes corporações é o de gestor ambiental. Cabe a esses executivos desenvolver um papel fundamental na estrutura da companhia, agregando aos modelos de negócio o fator "tecnologia limpa". Ou seja, eles tornam-se responsáveis pela percepção junto aos funcionários de que, para o bom funcionamento de qualquer empresa, o meio ambiente deve ser levado muito a sério. A tarefa exige, em contrapartida, gente altamente qualificada.

"Ter um selo verde ou um certificado de qualidade na área ecológica abre portas para mercados externos e até para financiamentos do BNDES", explica Flávia Castro, consultora sênior de assessoria em gestão de recursos humanos da KPMG. O desafio nesse novo cenário está em encontrar soluções para problemas como os de planejamento urbano, leis de controle ambiental mais rígidas, abertura econômica que exige melhorias nos produtos e aumento da conscientização da sociedade civil. E a busca por um equilíbrio fica nas mãos de cada empresa, que traça sua própria estratégia.

Luiz Maneschy, diretor corporativo da Shell: sintonia ajustada às metas de qualidade de vida e de meio ambiente

A Shell é um bom exemplos de companhia que aposta na presença de um executivo especializado em gestão ambiental. Para ser uma companhia não-poluente, ela possui uma unidade de gestão de meio ambiente, sediada no Brasil, mas com atuação em toda a América Latina. No comando está Luiz Maneschy, diretor corporativo de Saúde, Segurança e Meio Ambiente para a região, que lidera uma equipe de dez pessoas.

O executivo ingressou na companhia há 27 anos como engenheiro de obras e ao longo de sua carreira passou por diversas áreas da companhia, entre elas a de vendas e a de operações. Segundo Maneschy, o amplo conhecimento da estrutura da empresa é fator fundamental para esse tipo de trabalho. "As práticas da Shell não acontecem somente por uma imposição legal ou demanda da sociedade, mas por acreditarmos na visão de sustentabilidade do negócio em que trabalhamos", afirma o executivo.

Como resultado, a Shell precisa ter uma sintonia muito ajustada às metas de qualidade de vida e meio ambiente. Nesse guarda-chuva incluem-se preocupações relativas a acidentes com funcionários ou terceiros, emissões de gases, derramamentos e também um programa de substituição de equipamentos. As ações do gestor de Meio Ambiente, explica Maneschy, são primeiramente voltadas para evitar danos aos funcionários ou ao público geral. E ainda há também a preocupação em não causar nenhum dano ao meio ambiente, seja o ar, a água, o solo ou subsolo, diz.

Margo Cuzzi, consultora sênior da Korn/Ferry, explica que a tendência nessa área é a oferta de cargos que relacionem saúde, segurança e meio ambiente, como acontece na estrutura da Shell. "É uma linha de atuação que permite à empresa ter um plano de ação de olho em toda a cadeia envolvida: clientes, parceiros e comunidades próximas aos parques industriais", diz.

Um cargo desse tipo, que exige uma ampla gama de conhecimentos e competência, vai demandar profissionais que tenham sólida formação e grande conhecimento da empresa em que atua, avalia Flávia, da KPMG. Ela reforça que, em um processo de seleção, não será somente a capacidade de dominar leis ambientais que definirá o candidato selecionado. "A gestão de meio ambiente não implica em cumprir apenas exigências legais, mas sim estar adequado à estratégia de negócio da empresa", diz. Outro aspecto analisado é a capacidade de o profissional trabalhar em equipe e um procedimento pró-ativo não somente na administração de crises, conta a executiva.

A Bayer também optou por ter um profissional dedicado às questões ambientais. Tanto que em 2001, escolheu Enio Viterbo para ocupar o cargo de gerente da unidade de Saúde, Segurança e Meio Ambiente. Na época, ele tinha acabado de gerenciar o processo de certificação ISO 14.000 na empresa. Quando ingressou na companhia, o executivo atuava na área de segurança ambiental. Atualmente, comanda uma equipe de quatro pessoas - um químico, um engenheiro e dois analistas ambientais. Entre as tarefas de rotina está a de monitorar o relacionamento da Bayer com as empresas de tratamento de resíduos. "Mas um dos pontos sensíveis é que precisamos continuamente renovar as licenças ambientais, o que exige da empresa estar em conformidade com a lei", acrescenta.

Viterbo é também professor da disciplina Gestão Ambiental do curso MBA em Gestão Ambiental da Proenco - empresa especializada na prestação de serviços nas áreas de qualidade e meio ambiente -, ministrado em convênio com a Câmara de Comércio Brasil-Alemanha e tem dois livros publicados na área. "A área passou a existir a partir da Rio 92, que colocou o assunto nos debates, mas só recentemente ela ganhou espaço nas universidades", diz o executivo.

Segundo ele, é crescente o número de núcleos formadores oferecendo um leque variado de opções de cursos para os profissionais do setor, o que indica alternativas de formação técnica, de graduação e até de especializações, além de inúmeros MBAs.

Entre as opções de graduação e nível técnico, a novidade é a oferta de cursos pelo Senac, de São Paulo. A instituição, que possui uma Faculdade de Ciências Ambientais, está abrindo turmas para o início de 2005 para cursos de Tecnologia e de bacharelado em Gestão Ambiental e de Engenharia Ambiental. Jacques Demajorovic, coordenador da graduação, explica que principalmente os dois últimos surgem para atender a uma demanda crescente de mão de obra qualificada.

Em nível de pós-graduação, o Senac está oferecendo cursos de especialização e o Mestrado em Sistema Integrado de Gestão - Meio Ambiente, Saúde e Segurança do Trabalho. Além dessa instituição, há várias opções de cursos, principalmente de MBAs em Gestão Ambiental. Entre eles está o da Câmara Brasil-Alemanha em parceria com a Proenco. O mais novo é o MBA Internacional em Gestão Ambiental, chegando à 7ª turma. Há ainda opções da Fundação Getúlio Vargas, Esalq-USP, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade Estadual do Rio de Janeiro entre outras.

Fonte: Valor Econômico


[Valor Econômico]




 
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