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01/12/2004


Pesquisa revela perfil dos estagiários brasileiros


"Os sonhos continuam os mesmos." Foi esta a principal conclusão do consultor Conrado Schlochauer, sócio-proprietário da Lab SSJ, ao analisar pesquisa feita com 1.680 universitários - 52% masculinos - que já fizeram estágio.

Segundo o consultor, o principal objetivo do levantamento feito pela Lab SSJ foi avaliar os processos seletivos, as interações pessoais e a satisfação final do estagiário.

"Concluí que os sonhos sãos os mesmos de 15 anos atrás : trabalhar no segmento industrial e na área de marketing", enfatiza Schochauer.

A pesquisa apontou também que a área menos desejada pelos estudantes é a de vendas, com apenas 2,4% das respostas. Já as grandes empresas atraem muito os jovens brasileiros.

O reflexo disto é que 65% dos entrevistados gostariam de trabalhar numa empresa de grande porte. "E apesar de bastante comentadas atualmente, as ONGs não despertam o interesse destes universitários, pois apenas 2% gostariam de trabalhar em uma organização não governamental", informa o consultor. O levantamento mostrou também que 9% dos universitários gostariam de abrir seu próprio negócio e que apenas 3,6% desejam trabalhar no serviço público.

A pesquisa - 54% dos jovens entrevistados têm de 22 a 26 anos residentes no Estado de São Paulo - apontou que a maioria cursa Administração de Empresas e 34% vão concluir a graduação ainda neste ano. Os cursos menos citados foram os de Ciências Contábeis e Psicologia.

Dificuldades
Não é nada fácil conseguir uma vaga de estágio. Além do número restrito de postos e excesso de candidatos, a mostra destacou que para conquistar uma vaga, 53,8% dos universitários participaram de dois a quatro processos seletivos. Apenas 24% conseguiram o estágio logo no primeiro processo.

O que move um universitário a batalhar por um estágio? Segundo a pesquisa, o mais importante é o aprendizado, disseram 61% dos entrevistados. Em seguida, agregar conhecimento. E os estagiários que mais lutam pelo estágio são os estudantes de Direito.

Quanto a origem da informação sobre estágio, 32,5% disseram que tomaram conhecimento com agentes de intermediação e outros 32% em conversas na própria faculdade.

Os benefícios e o treinamento têm peso para os estagiários, mas eles elegeram como o principal desejo a efetivação no emprego, com 41% das respostas. Seguem o treinamento e a valorização do estagiário.

Não faltaram reclamações. Os pontos fracos dos programas de estágios, segundo a pesquisa, são: estagiários tratados como mão-de-obra barata, falta de confiança das empresas na capacidade do iniciante e a realização de atividades não relacionadas ao curso. E sobre o papel desempenhado pela área de Recursos Humanos nas empresas para os estagiários consulttados é bem diferente do que deveria exercer. Para eles, o RH deveria monitorar o crescimento do estágio e indicar os melhores caminhos e acreditar no potencial do estagiário.

"O estagiário está infeliz, mas por outro lado exige reconhecimento nem sempre compatível com o seu patamar profissional", comenta Schlochauer ao destacar que realizou a pesquisa pelo quarto ano consecutivo juntamente com a Cia de Talentos.

Fonte: Diário de S.Paulo


[Diário de S.Paulo]




 
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