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14/12/2004


Ufes estuda adotar sistema de cotas no vestibular de 2007


As cotas para estudantes afro-descendentes, indígenas e egressos de escolas públicas poderão ser adotadas pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) no vestibular de 2007. A proposta deve ser aprovada pelos conselhos de Ensino, Pesquisa e Extensão e Universitário.

O primeiro levantamento da Ufes sobre o perfil étnico dos vestibulandos apontou que entre os 25.683 que se inscreveram para o vestibular 2005 estão 12.796 (49,8%) brancos e 11.471 (44,6%) negros (2.163, pardos, e 9.308, pretos).

Outros dois levantamentos irão traçar o percentual de negros que passaram para a segunda etapa do vestibular (que começa neste domingo) e os que foram aprovados.

"Esses dados irão subsidiar a proposta das cotas", explica o pró-reitor de Graduação da Ufes, Santinho Ferreira de Souza. Para ele, é o perfil econômico que impede o aluno, negro e pobre, de entrar e permanecer na universidade. "A universidade deve dar condições ao aluno carente de se inserir nesse universo e concluir seu curso", completou.

Bolsas. Hoje, a Ufes oferece 32 bolsas a alunos de baixa renda, por meio de um programa da Secretaria de Ensino Superior (Sesu) e do Ministério da Educação (MEC). A universidade tem 12 mil alunos.

O Governo federal lançou, no início do mês, o Programa Integrado da Ações Afirmativas para Negros (Afroatitude), que vai oferecer 500 bolsas a afro-descendentes, cotistas em dez universidades públicas (50 para cada universidade), no valor de R$ 241,51 mensais.

"O benefício será destinado durante um ano para que os alunos estudem a relação entre a Aids e as condições econômicas, sociais e culturais da população afro-descendente", informa a consultora de ações afirmativas do MEC, Débora da Silva Santos.

Ao todo, 15 universidades públicas adotaram o ingresso diferenciado para negros, indígenas e minorias, beneficiando 9.800 estudantes.

Na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), que adotou as cotas em 2003, são reservadas 20% das vagas para alunos da rede pública, 20% para negros e 5% para outras minorias, como portadores de deficiência. São cerca de quatro mil cotistas.

"Há um esforço para mobilização de recursos para incluir esses alunos, como aulas de reforço de matemática e português", afirma o coordenador de Políticas de Cor da Uerj, Renato Emerson dos Santos.

A Ufes realiza hoje o seminário Cotas para Negros nas Universidades Brasileiras. O encontro acontece no auditório do CCJE, às 9 horas.

Grupo aponta outras soluções
Apesar das manifestações a favor, nem todos os movimentos organizados acreditam que a reserva de cotas seja a melhor solução para diminuir o abismo social entre negros e brancos. O grupo Consciência Negra, que se reúne para estudar Antropologia Cultural, por exemplo, não vê nas cotas uma alternativa viável. O fundador, Paulo César Fernandes, 46 anos, acredita que a solução é investir em mudanças mais profundas na educação pública. Ele é a favor de uma abordagem histórica em que o negro não exerça apenas o papel de escravo, mas também de formador da cultura e raça humana. O primeiro passo seria a criação de uma disciplina de História da Raça Humana e Etnia Negra. "Essa discussão das cotas desvia a atenção das pessoas de propostas mais difíceis de serem aplicadas, como a reformulação das disciplinas escolares", afirma.

Fonte: A Gazeta


[A Gazeta]




 
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