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Terça-feira :: 16 / 03 / 2010
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Universidades só têm 9,7 mil vagas
Juntas, as instituições mantidas pelos governos Federal e Estadual (UFPB, UFCG, UEPB e Cefet) estão oferecendo, este ano, apenas, 9.727 vagas em seus vestibulares.
A concorrência é muito maior nos processos seletivos dessas instituições mas, por falta de vagas, os estudantes acabam migrando para o ensino privado. A Universidade Federal da Paraíba, a maior do Estado, é um exemplo clássico do ensino público superior, que tem uma demanda muito maior do que sua oferta. A UFPB registrou, no Processo Seletivo Seriado (PSS-2005), mais de 26 mil candidatos para, somente, 3.322 vagas. Segundo a última pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há um equilíbrio nas matrículas das escolas de ensino superior públicas e privadas. As particulares, embora menores, juntas, já detém quase a metade do total de universitários paraibanos. Em 2003, dos 61 mil estudantes matriculados em cursos superiores, 51% estavam em universidades públicas e 49% nas particulares. O estudo mostra, ainda, que 1,2 milhão de paraibanos freqüentavam a escola em 2003. Deste universo, 67% estavam no ensino fundamental, 13% no ensino médio e apenas 5% cursavam o terceiro grau. Enquanto apenas 61 mil alunos do Estado estavam em faculdades, 790 mil paraibanos (24,7% da população) não sabiam ler, nem escrever um simples bilhete. O número de analfabetos era quase 13 vezes maior do que o total de universitários, comprovando o afunilamento do acesso às faculdades. Na Paraíba, menos de 10% chegam às faculdades O reitor da Universidade Federal da Paraiba, Rômulo Polari, afirmou que, apenas, 10% da população brasileira em idade de freqüentar o ensino superior, conseguem, de fato, chegar às universidades. Na América Latina, essa média está em torno de 30%. "Aqui no Estado, esse percentual é menor do que a média do Brasil porque a rede privada tem dificuldades em encontrar mercado, já que a maioria dos paraibanos não pode pagar faculdades", alerta. Enquanto a média do Brasil é 70% dos alunos em faculdades privadas, na Paraíba, esse percentual é quase 49%, segundo dados do IBGE. a previsão do professor Polari é que, a cada ano, mais alunos fiquem fora das universidades. "A não ser que as universidades públicas se expandam, a tendência é a situação ficar ainda mais alarmante, porque a demanda de estudantes para o mercado das faculdades particulares não deve mais crescer tanto", afirmou o reitor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Rômulo Polari, comentando que a maioria dos paraibanos não têm poder aquisitivo para estudar em instituições privadas. O reitor já está levantando discussões sobre a possibilidade de criação de uma universidade no Sertão paraibano, visando atender um público maior e melhorar a oferta de vagas na UFPB. "Estamos tentando motivar a sociedade política, mostrando que estamos dispostos a fazer esse projeto. Seria uma universidade para cerca de 25 mil alunos, com cursos em todas áreas, semelhante à UFPB", ressalta. 1/3 dos alunos são da rede pública Apenas um terço dos estudantes que ingressam na UFPB cursaram o ensino médio em escolas públicas municipais, estaduais ou federais. Mesmo assim, segundo o reitor Rômulo Polari, esse percentual é mais alto do que a média de outros Estados. "Não temos pesquisas que avaliem, por exemplo, quantos vestibulares esses alunos vindos da rede pública fizeram para conseguir entrar na Universidade, nem se estão no curso que gostariam ou, mesmo, se estão estudando apenas porque não conseguiram uma vaga no curso que sonhavam", explica. O reitor enfatizou que os problemas de infra-estrutura do ensino público fundamental e médio são muito evidentes e ainda dificultam a entrada de muitos alunos na universidade. Falta de treinamentos e má remuneração para os professores, déficit de docentes com qualificação adequada e falta de laboratórios são alguns dos problemas.Esses estudantes ainda esbarram na falta de recursos para buscar formas adicionais que supram a deficiência no aprendizado. "Os últimos oito anos do Governo Federal primaram pela quantidade de alunos na escola, deixando de lado a qualidade. O governo Lula já acenou que irá primar pela qualidade", lembra. Fonte: Correio da Paraíba [Correio da Paraíba] |
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