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03/03/2005


Ufba coordena avaliação das cotas


Vítor Rocha

Diante da polêmica do primeiro vestibular com cotas da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e de muita reclamação por parte de alunos excluídos pelo sistema, será lançado hoje, às 17 horas, na sede do Centro de Estudos Afro-Orientais (Ceao), o Projeto Observa. Ele vai responder às dúvidas em torno da política de ações afirmativas adotadas por algumas universidades brasileiras.

A pesquisa observará a Ufba, Universidade do Estado da Bahiua (Uneb), Universidade Nacional de Brasília (UnB), Universidade de Campinas (Unicamp) e Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), instituições que já adotaram o sistema de cotas para o acesso ao ensino superior. A primeira fase do projeto consiste em levantar dados quantitativos da concorrência do vestibular com a adoção da reserva de vagas e do número de classificados provenientes de escolas públicas, afrodescendentes e índiodescendentes.

Num segundo momento, será avaliada a performance dos cotistas ao longo de dois semestres de curso, seja no geral como em disciplinas específicas. O levantamento vai permitir comparar a atuação do estudante branco, em sua maioria proveniente de escola particular, com a dos cotistas. O nível de evasão, que chega a 30% em alguns cursos da Ufba, também será medido, para avaliar se os cotistas estão em condições de concluir a graduação. Os primeiros resultados da pesquisa devem ser divulgados em maio deste ano.

"O objetivo do projeto é avaliar internamente o impacto de alunos provenientes de escolas públicas e afrodescendentes ingressos pelo sistema de cotas. Com isso, as universidades cumprem a obrigação de explicar e mostrar o que representa os sistemas adotados", explica o coordenador do projeto, Jocélio Teles.

Instituições federais que ainda não contam com política de ações afirmativas também serão avaliadas pelo projeto. Uma pesquisa será realizada na Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (Ufrj) para verificar a opinião do corpo docente e de funcionários sobre a adoção da política de cotas nessas universidades.

Também serão avaliadas as desigualdades de acesso, de desempenho e de tratamento entre alunos brancos e não-brancos. Além do professor Jocélio Teles, da Ufba, o projeto conta com representantes da USP, Ufrj e UnB. O Observa é apoiado pela Fundação Ford.

NOBRES - O sistema de cotas adotado pela Ufba tem a intenção de inserir alunos de escolas públicas, afrodescendentes e índiodescendentes em curso de alto prestígio, como medicina, direito, jornalismo e odontologia. No caso de cursos de baixo prestígio social, como letras e pedagogia, nem foi necessária a interferência do sistema de cotas, pois os classificados já atendiam o percentual de 45% de provenientes de escolas públicas, afrodescendentes e índiodescendentes.

O curso de medicina, historicamente o mais concorrido, sofreu uma mudança considerável. Vão entrar este ano 72 estudantes provenientes de escolas públicas, das 160 vagas, o que representa 45%. Destes, 82% se declararam pretos ou pardos e 4% são índiodescendentes. No ano de 2001, os afrodescendentes eram apenas 29% do total no mesmo curso, sendo que apenas 4,4% vinham de ensino público.

"Cresceu o número de pretos e pardos na universidade como um todo nos últimos anos. Mas nos cursos de grande prestígio social o efeito foi inverso. As cotas vêm exatamente no sentido de garantir que alunos de escola pública, afro e índiodescendentes ganhem espaço nesses cursos", explica Jocélio Teles.

Fonte: A Tarde


[A Tarde ]




 
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