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12/04/2005


Vem aí um boom de novos médicos


São Paulo - No curso dos próximos dez anos, o governo brasileiro vai deparar com uma oferta de médicos recém-formados jamais vista.

Hoje, de acordo com estatísticas do Ministério da Saúde, saem das universidades 2,5 mil jovens profissionais por ano. De acordo com Maria Helena Machado, diretora do Departamento de Gestão e Regulação do Trabalho, da Secretaria de Gestão do Trabalho e Educação em Saúde (órgão do ministério), em uma década, estima-se que o número de diplomados atingirá 12 mil por ano.

Em 1995, havia 82 escolas de Medicina, e hoje, 124. O mesmo se repete em outras áreas da saúde. Em Odontologia, havia 89 escolas e hoje são 161. Farmácia pulou de 56 para 347 e Enfermagem de 108 para 334.

Para Helena, o incremento sem precedentes de escolas vai significar um boom de profissionais. A maior parte das novas instituições, porém, é privada e está concentrada no Sul e Sudeste do País.

Má distribuição
Atualmente, já há um problema de má distribuição de mão-de-obra, além de um desequilíbrio entre oferta e demanda de profissionais. Há 300 mil médicos no País para 460 mil postos.

Setenta por cento deles trabalham no setor público. Cada médico tem, em média, três empregos. Cerca de 1,5 mil municípios não contam sequer com um médico residente ou enfermeiro que lá viva.

A previsão de um contingente expressivo de mão-de-obra é um dos mais críticos aspectos da discussão sobre a carreira médica. Mas as mudanças não param por aí.

A avalanche de escolas de medicina que surgiu desde o final dos anos 80, os avanços em tecnologia e a mudança do padrão de saúde da população esquentam o debate sobre o futuro da carreira de médicos no Brasil.

Nas grandes capitais do País há profissionais que já utilizam robôs em cirurgias. Mas outros, no Nordeste, por exemplo, têm de visitar dois ou três municípios por dia - pequenas cidades, sem infra-estrutura.

Formação via satélite
Um núcleo de acadêmicos defende que a tecnologia pode dar uma mão na equação relação médico por habitante.

"Estamos fechando um projeto com o Ministério da Saúde para formar 100 médicos que trabalham em UTI do Nordeste; vamos fazer isso via satélite, trazendo eles aqui", antecipa o coordenador de pós-graduação em Saúde Baseada em Evidências e diretor-executivo do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês, Roberto de Queiroz Padilha.

"O governo vai investir lá com novos equipamentos e precisa ter alguém que saiba trabalhar bem com o paciente em situação grave, e temos aqui muita experiência nisso, temos umas das primeiras UTIs do País e pessoas gabaritadas."

Conhecimento médico
O Sírio-Libanês criou o Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP/HSL) há dois anos. Ele mantém hoje nove cursos de pós-graduação, incluindo o MBA de Gestão em Saúde, voltado à formação de executivos e mais vários outros de extensão.

"Propusemos que, a partir da reflexão sobre as práticas de saúde, teríamos de construir o conhecimento médico, para isso abolimos as formas clássicas e tradicionais de ensino", diz Padilha.

A pós-graduação do Hospital do Câncer (Fundação Antônio Prudente) também investiu em inovações e sofreu resistência do MEC até entrar para o clã das estrelas com nota máxima. "Nosso modelo defende não só o estudo da doença como prioridade, mas sim o paciente", garante o coordenador do mestrado e doutorado em Oncologia da Fundação Antônio Prudente, Luiz Fernando Lima Reis.

"Isso resultou numa filosofia que dá o mesmo peso ao psicólogo, médico, biólogo, físico, enfermeiro, dentista, em um formato interdisciplinar do conhecimento", diz. "A Capes criticou nosso modelo e, hoje, o caráter multidisciplinar é tendência mundial."

Terciane Alves e Karina Cândido

Fonte: Estadão.com.br


[Estadão.com.br ]




 
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