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31/10/2005


Professores discutem greve


Há mais de 50 dias em greve, os professores da UnB começam a entrar em acordo com o governo. Na quarta-feira, as propostas do Ministério da Educação (MEC) foram rejeitadas pela terceira vez, mas há itens em discussões bem encaminhadas. Hoje, o Ministério da Educação deve apresentar uma nova proposta aos professores universitários.

Segundo o presidente da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (AdUnB), Rodrigo Dantas, o MEC insiste em não aceitar o reajuste linear proposto, de 18%. O órgão calcula que R$ 1,3 bilhão seriam gastos por ano para atender ao pedido, mais do que o dobro do valor disponível para o aumento, que é de R$ 500 milhões.

Contudo, a proposta de realização de concursos públicos para reposição de todas as vagas nas instituições federais de ensino e a criação de novas classes na carreira estão sendo discutidas com sucesso. A associação aguarda agora a nova resposta do MEC. A próxima assembléia do corpo docente da UnB está marcada para quinta-feira.

De acordo com o MEC, o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) disse que a maioria dos seus representados ainda rejeita a oferta do ministério, mas admite que alguns pontos são aceitos. Um dos itens que ainda impedem o acordo é a questão da equiparação salarial entre professores ativos e aposentados. Hoje existe uma gratificação de estímulo à docência que beneficia somente os da ativa. O MEC oferece aos inativos 115 do total de 140 pontos da gratificação. Mas os aposentados querem isonomia.

Para Ivan Camargo, decano de Ensino e Graduação da UnB, a greve é um grande prejuízo para a universidade, e quem mais perde com ela é o aluno. Mas ele considera pouco provável a decisão do cancelamento do semestre pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) da UnB.

Nas últimas 20 greves, mesmo aquelas que duraram mais de três meses, o Cepe resolveu repor todas as aulas perdidas logo após o término da paralisação, diz o professor. Mesmo com a greve, todas as atividades da pós-graduação estão sendo realizadas, assim como algumas disciplinas da graduação. Camargo informa que tampouco o vestibular será cancelado.

Prejuízos Grave é a situação dos formandos, que irão receber seu diploma mais tarde, perdendo oportunidades de emprego. Aluna do último semestre de Odontologia, Fernanda Gomide, 23 anos, está bastante decepcionada. Eu já estava com tudo planejado para o início do ano que vem com o diploma na minha mão, lamenta.

Alguns alunos preferem o cancelamento deste semestre. No meu caso, é melhor que cancele porque, com a greve, comecei a trabalhar o dia inteiro num emprego muito bom, diz Dênis Monteiro, 24 anos, aluno do nono semestre de Comunicação Social.

Primeiro eu torci para que a greve não acontecesse, porque é uma situação desrespeitosa com os alunos e também com os professores, mas, agora que ela está se prolongando, eu quero que vá até fim de dezembro e cancele o semestre, para eu poder estudar para concursos, manifesta-se o estudante do oitavo semestre de Biologia, Alessandro Max, 25 anos.

[Jornal de Brasília ]




 
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