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01/11/2005


Universidade gasta R$ 1,7 bi com atualização tecnológica


Paulo Florêncio

As universidades privadas brasileiras estão buscando alinhar sua estrutura com as perspectivas de crescimento de mercado e, para isso, focam principalmente a implantação de novas ferramentas de informática e tecnologia da informação (TI), cujo objetivo é alinhar a tecnologia ao negócio da organização. A expectativa é que a maioria das universidades do País gaste, em média, R$ 1 milhão por projeto de informatização, de acordo com Guilherme Moraes, sócio diretor da Merithus Consultoria .

Considerando as mais de 1,7 mil entidades de ensino superior no Brasil, o investimento mínimo seria em torno de R$ 1,7 bilhão.

Moraes afirma que, de acordo com um estudo realizado este ano pela publicação norte-americana CEOs Magazine, 56% dos executivos da área pensam na TI como ferramenta pró-ativa e estratégica para os negócios de qualquer organização, principalmente universidades, que têm de se relacionar com um contingente enorme de alunos com diferentes perfis.

O consultor conta que um dos maiores projetos de implantação de software de gestão em universidades brasileiras é o da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), em São Leopoldo, na região metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

A organização, que é mantida pela Associação Antônio Vieira, da Companhia de Jesus e possui cerca de 30 mil alunos em cursos de graduação e pós-graduação, está investindo cerca de R$ 15 milhões na implantação de novas tecnologias para integrar as áreas de recursos humanos, finanças, jurídico, pesquisa, corpo docente, entre outras. São sistemas que trazem inteligência de negócio. Integram todos os serviços da organização. Isso faz com que a empresa tenha menor custo em seus processos e agilidade na administração. No entanto, Moraes destaca que as universidades de média estrutura geralmente investem menos porque implantam sistemas convencionais. Apenas para fazer a operação básica dos processos da instituição.

Mesmo que os investimentos sejam menores, se comparado aos que as instituições de grande porte fazem em equipamentos de informática, a tendência que todas escolas de ensino privado elevem os seus investimentos. A razão é o crescimento dos negócios que, em períodos de matrículas, por exemplo, costuma causar problemas de sobrecarga nos sistemas que não conseguem atender a demanda de alunos que buscam informações através dos sites da entidades. Além disso, o uso do sistema de TI integrado de gestão tem se tornado uma importante ferramenta de controle de bancos de dados também para obter informações sobre alunos potenciais e tomar decisões estratégicas na empresa.

Comunicação A comunicação no mercado educacional também tem sido uma das preocupações das instituições. Segundo Antonio Prado Júnior, sócio-diretor da APPM Consultoria e Marketing , antes da fazer a comunicação para captar novos alunos e fidelizar aqueles que já estão estudando, as escolas precisam conhecer o seu público. Saber quem decide onde o aluno vai estudar. Na faculdade, por exemplo, são os pais e os próprios alunos que escolhem as universidades de acordo com os seus interesses. Diante desse cenário, a comunicação tem de ser dirigida para eles.

De acordo com Prado Júnior, as universidades têm de divulgar os seus valores e metas educacionais. Ele cita o exemplo do Colégio Bandeirantes , em São Paulo. O colégio faz uma comunicação para vender conteúdo educacional. Por isso reforça em sua comunicação que a sua meta é a aprovação dos alunos no vestibular.

Escolher o tipo de mídia a ser utilizado também é importante. A televisão, embora seja uma mídia predominante ? presente em 98% dos lares ? nem sempre traz os melhores resultados. As escolas podem explorar usos de mídia que têm um custo mais reduzido como Internet, eventos na própria sede e aproximação com a imprensa através de assessoria de comunicação.

Vera Modolo, gerente do grupo Gelre , consultoria de recrutamento de altos executivos, destaca também a necessidade de gestão profissional nas instituições de ensino e ressalta a importância das universidades buscarem profissionais em outros mercados para ocupar os cargos de alto escalão. O modelo de gestão nas instituições particulares tende a ser participativo, ágil, autônomo e que gere resultados. É preciso ter uma visão sistêmica e olhar a educação como negócio, diz.

Mercado Um estudo realizado pelo Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp) revela que 75% dos executivos mais jovens, com idade entre 26 e 45 anos, são formados em faculdades privadas. A pesquisa ouviu, em setembro de 2004, 1.039 profissionais que ocupam cargos de alto e médio escalão em 200 empresas (indústria, comércio e serviços) localizadas no Estado de São Paulo. O levantamento mostra também que 82% dos profissionais fizeram pós-graduação em universidade particular, ante os 79% de 2001, primeiro estudo realizado pela entidade.

Outro dado da pesquisa demonstra que os profissionais de nível gerencial, que ainda estão em fase de busca de aprimoramento profissional, foram os mais beneficiados pela expansão da oferta de cursos e MBAs da iniciativa privados nos últimos anos. Cerca de 83 dos gerentes entrevistados fizeram algum curso de pós-graduação no ensino privado. O Brasil tem mais de 3,9 milhões de estudantes universitários. Cerca de 27% deles estudam no Estado de São Paulo, local onde se concentra o maior número de estudantes do ensino superior do País.

Código de ética A Associação Brasileira de Mantenedores de Ensino Superior (ABMES), que conta com mais de 423 mantenedoras e 504 instituições brasileiras de ensino superior associadas, planeja para o próximo ano o lançamento de um Código de Ética para o setor. O atual código, de acordo com Gabriel Mário Rodrigues, presidente da entidade, está defasado porque foi criado na década de 70. O novo regulamento terá o objetivo de propor soluções para os problemas relativos ao desenvolvimento e à qualidade do ensino superior. Surge novas universidades e cursos todos os dias. É preciso controlar isso para que o ensino tenha qualidade, enfatiza.

[DCI ]




 
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