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08/11/2005


Greve ameaça calendário letivo das universidades federais, diz MEC


O Ministério da Educação (MEC) estima que se a greve dos docentes das universidades federais se estender por mais dez dias as aulas deste ano letivo terão de ser dadas até 2006, prejudicando o calendário deste ano e até mesmo os vestibulares.

A declaração foi dada ontem à Folha pelo secretário-executivo-adjunto do MEC, Ronaldo Teixeira, responsável pela negociação.

A paralisação começou no dia 15 de agosto, na Universidade Federal do Acre. Desde então, outras 37 instituições já aderiram, inclusive a Unifesp (federal de São Paulo), de acordo com o comando de greve. Hoje está previsto o início de paralisação na Furg (Fundação Universidade Federal do Rio Grande), do Rio Grande do Sul. O grau de adesão varia entre as instituições.

O MEC tem um balanço diferente, que aponta greve parcial em 31 de suas 61 instituições. Segundo a pasta, 30% dos docentes estão parados. O governo, porém, admite que não possui a mesma capacidade do grevistas para monitorar o movimento.

Os professores têm divergências também com relação à estimativa do MEC sobre o calendário escolar. Eles querem fazer pressão contra nós, disse Manoel Fernandes, um dos representantes do comando de greve.

A idéia deles é dizer para pais, alunos e para a sociedade que vamos levar o movimento até o limite. Segundo Fernandes, o calendário letivo só será prejudicado caso a paralisação se estenda por mais um mês.

Os grevistas pedem reajuste de 18% nos vencimentos básicos e que os professores aposentados ganhem o mesmo que os da ativa. Atualmente, os docentes em atuação têm gratificações maiores do que os aposentados. Em uma delas, que representa um terço do salário, a diferença chega a 30%.

O Ministério da Educação propõe reajustes nos índices de titulação (bônus que o professor recebe se tiver especialização, mestrado ou doutorado) e criação de uma quinta categoria de docência, o que poderia ajudar na evolução na carreira. Esses pontos, juntos, representariam um reajuste médio de 11%, de acordo com o MEC.

Além disso, o ministério afirma que buscará diminuir a diferença entre o salário dos professores na ativa e dos aposentados, mas não será possível a equiparação -o governo Lula destinou R$ 500 milhões para que o Ministério da Educação elaborasse sua proposta aos docentes.

O último ponto que o MEC propôs foi a criação de um grupo de discussão para modificar a estrutura da carreira dos docentes.

Em duas rodadas anteriores de assembléias, os professores em greve já negaram o que a pasta ofereceu. Uma nova rodada será completada até amanhã. Na quinta-feira, haverá nova reunião entre as duas partes. O MEC espera que a posição dos docentes mude devido à incorporação do grupo de trabalho à proposta.

Já Fernandes, do comando de greve, afirma que a expectativa dos dirigentes do movimento é que a paralisação seja mantida pelos docentes. Ele considera que o ministério praticamente não avançou nas últimas propostas. (FÁBIO TAKAHASHI)

[Folha de S.Paulo ]




 
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