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Sexta-feira :: 19 / 03 / 2010
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PUC renegocia dívida, demite e corta bolsas
Laura Capriglione
A Pontifícia Universidade Católica de São Paulo está tomando um choque de capitalismo. Déficit mensal zero. Queremos equilibrar as contas da PUC, isto é, sair de um déficit de R$ 3 milhões por mês para zero. Esta é, nas palavras do vice-reitor administrativo da PUC-SP, professor Flávio Mesquita Saraiva, 41, a principal meta para 2006 da tradicional universidade católica paulistana, famosa por no passado abrigar (e em grande medida gerar) o pensamento católico de esquerda, que deu na Teologia da Libertação. Para chegar ao déficit zero, a universidade recorre à ferramenta clássica da gestão: cortar custos, folha de pagamentos incluída. O plano de demissões voluntárias de funcionários, aberto em 10 de outubro, encerra-se depois de amanhã. Professores e funcionários falam em cortes de até 25% na folha, o que deverá ser anunciado no prazo de duas semanas. Outras medidas que já estão sendo aplicadas: extinção de setores, terceirização de atividades e redução de atividades filantrópicas. O objetivo admitido: liqüidar a dívida em 74 meses. A meta começou a ser esboçada no primeiro semestre, quando se iniciaram as simulações e estudos que levaram, em agosto, o Bradesco e o ABN Amro a confiar na capacidade de pagamento da universidade e a lhe emprestar R$ 82 milhões para reestruturar suas dívidas, meio a meio cada. Ontem foi a vez de os funcionários estrilarem. Em assembléia, 150 deles (de um total de 1.400) decidiram preparar uma greve contra as demissões já realizadas (100) e contra as que vêm aí. Os professores ainda não foram afetados pelos cortes, porque o acordo sindical em vigor garante-lhes estabilidade até janeiro. Mas sabem que o facão vai baixar depois disso. Listas de demissíveis já estão sendo elaboradas dentro dos departamentos, conforme a Folha apurou em três escolas. A universidade anuncia a redução na filantropia, espécie de marca registrada da PUC. As 1.700 bolsas de doação (que cobrem mais da metade do valor da anuidade escolar), somadas a outras atividades, produziram um rombo de R$ 8 milhões em 2004. Para resolver o problema, cogita-se até reduzir o tamanho das bolsas. Alguém que receba uma bolsa integral pode passar a ter de pagar 50% da anuidade. Não podemos fazer filantropia com dinheiro de banco, diz o vice-reitor. É a primeira vez em 59 anos de existência da PUC que as torneiras se fecham. A universidade acumulava dívidas que ameaçavam a continuidade de sua existência, um total de R$ 67 milhões, em agosto, crescendo em progressão geométrica. Para piorar, o chamado risco-PUC inflava os juros e reduzia os prazos de pagamentos. Quatorze eram os bancos credores. A saída foi concentrar a dívida, alongar prazos de pagamentos e reduzir os juros. Na fase de negociações, o cardeal-arcebispo de São Paulo, dom Cláudio Hummes, também grão-chanceler da PUC, participou pessoalmente das conversas com os bancos. Segundo o vice-reitor administrativo, os bancos [Bradesco e ABN Amro] estão olhando nossas contas, interagindo fortemente com a reitoria e com a Fundação São Paulo [mantenedora da PUC]. A cada três meses, entregamos um balancete para os bancos, que podem acompanhar nossa evolução financeira. Entre os professores, segundo a presidente da associação dos docentes, Priscilla Cornalbas, o clima é de que os bancos assumiram a gestão da universidade. Já tem professor dizendo que é melhor a gente fazer os cortes porque senão o Bradesco faz, diz ela. Procurado, o Bradesco não quis se pronunciar sobre a PUC. Olha, precisamos falar também da agenda positiva, pede o vice-reitor. Estamos expandindo a PUC. Já estamos em Santana, em um prédio que a igreja nos ofereceu. Temos 250 novos alunos de administração de empresas. A propósito: É um dos cursos mais rentáveis da PUC. Nos próximos dois anos, a PUC abrirá mais dois campi. O primeiro será em Barueri (Grande SP), em instalações cedidas pela prefeitura, bem ao lado do endinheirado condomínio Alphaville. A previsão é que as aulas comecem já em 2006. E tem mais: Estamos de namoro com o palacete do Carmo, um prédio da igreja na praça da Sé, onde abriremos mais cursos, diz o vice-reitor.
Colaborou Fábio Takahashi, da Reportagem Local
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