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08/11/2005


Impasse ameaça ampliar greve de professores


BRASÍLIA. Terminou ontem sem acordo mais uma reunião entre o Ministério da Educação e o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-Sindicato) para tentar pôr fim à greve dos professores nas universidades federais, que começou em algumas unidades há cerca de dois meses. Diante do impasse, os sindicalistas dizem que a paralisação pode se estender a outras instituições. O MEC, porém, aposta no retorno ao trabalho, à medida que a proposta do governo for mais divulgada na base da categoria.

Professores da UFRJ podem aderir à paralisação Na UFRJ, cerca de 60 professores aprovaram anteontem um indicativo de greve. Na prática, isso indica a intenção de aderir ao movimento, deixando a decisão, no entanto, para uma nova assembléia, possivelmente na quinta-feira.

Enquanto não chega a um acordo com os professores, o MEC comemora a decisão do comando nacional de greve dos servidores técnico-administrativos, outra categoria também parada, de recomendar a volta ao trabalho. A palavra final será dada na segunda-feira.

Os professores reivindicam reajuste linear de 18% nos salários-base, o que incide também sobre as gratificações. O MEC propõe aumento de 50% sobre o percentual das gratificações por titulação, o que resultaria num reajuste médio de cerca de 9,5% para a categoria em 2006. A proposta do ministério leva em conta o teto de R$500 milhões disponibilizados pela área econômica para reajustes salariais dos docentes em 2006.

Segundo o vice-presidente do Andes-Sindicato, Paulo Rizzo, seria preciso liberar pelo menos mais R$100 milhões para atender ao pleito da categoria. O MEC alega que seriam necessários outros R$800 milhões.

Segundo o MEC, a greve atinge 31 universidades, com adesão, em média, de 30%. Já o Andes-Sindicato contabiliza 38 unidades paradas. De acordo com Rizzo, o grau de adesão gira em torno de 80%.

? A greve dos professores é parcial ? rebate o secretário-executivo adjunto do MEC, Ronaldo Teixeira, encarregado de negociar pelo governo.

Na UFF, em Niterói, o movimento provoca uma confusão no calendário escolar.

? Estamos tendo aulas agora de algumas matérias, mas, com alguns professores em greve, vamos ter aulas em janeiro e fevereiro ? disse o estudante Felipe Svaluto.

O último balanço do Andes-Sindicato mostra que outras oito instituições, além da UFRJ, aprovaram indicativo de greve, mas sem data para o início da paralisação. O mesmo levantamento informa que os professores de três instituições retiraram o indicativo de greve. Na Rural de Pernambuco, os docentes aprovaram moção contra a greve. Na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), suspenderam a paralisação.

? As propostas do MEC já foram rejeitadas duas vezes nas assembléias. Vamos agora procurar parlamentares e aumentar a mobilização ? disse a presidente do Andes-Sindicato, Marina Barbosa.

Uma nova reunião entre sindicalistas e o MEC foi marcada para quinta-feira. O secretário-executivo adjunto do ministério negocia não apenas com o Andes-Sindicato, mas com o Fórum de Professores das Instituições Federais de Ensino Superior(Proifes).

[O Globo ]




 
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