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14/12/2005


Mulheres ainda representam em média apenas 30% dos alunos


Margareth Boarini, para o Valor De São Paulo

À primeira vista pode parecer preconceito lançar um MBA só para mulheres, mas um olhar mais atento ao programa de disciplinas focado em problemas característicos do universo de uma executiva e o interesse do público-alvo desse curso servirão para disseminar qualquer juízo de valor e entender a razão pela qual a Universidade Anhembi Morumbi aposta nesse filão. A instituição já conta com 118 inscrições para as primeiras turmas de 35 vagas cada e cujas aulas terão início em março próximo.

Além dos 65% das disciplinas específicas de um MBA tradicional, como administração, finanças e economia, os demais 25% restantes pretendem abordar abertamente questões delicadas para a mulher.

"Liderar uma equipe masculina, conciliar num tempo cada vez mais curto papéis de mãe, profissional e dona-de-casa, adotar ora postura de herdeira ora postura para cargos mais altos e traçar planejamento sério da ascensão profissional são temas cada vez mais presentes para a profissional brasileira. Então decidimos conceber o MBA para executivas", afirma Armando Lourenzo, diretor da instituição, que normalmente já contabiliza 50% de alunos do sexo feminino em suas salas de aula desse tipo de curso de especialização.

A média brasileira de participação feminina em MBAs (abertos), porém, é bem diferente da constatada pela Anhembi Morumbi e beira geralmente os 30% nos cursos denominados abertos. A média nacional já evoluiu se comparada à de três, cinco anos atrás, mas nos últimos dois anos vem se mantendo inalterada.

"Essa situação reflete o que acontece no mercado de trabalho, onde ainda nem sempre a mulher ocupa os mais altos cargos de liderança e infelizmente tem uma remuneração menor que a do homem. Por isso a presença feminina ainda é menor que a masculina", opina Fabio Gallo Garcia, vice-coordenador da GVPEC, o programa de educação continuada da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo.

De qualquer forma, reforça, a mulher não está parada. Busca maior especialização nos últimos anos e mostra-se muito mais empenhada que o homem quando está em sala de aula.

Opinião semelhante tem Celso Cláudio Hildebrand e Grisi, diretor de desenvolvimento de novos negócios e relações institucionais da FIA. "A mulher vem determinada a realizar com afinco um MBA porque sabe que sua ascensão profissional pode resultar daí. Temos muitos casos de alunas que tiveram seu desempenho premiado", afirma Grisi.

Neusa Hirota, diretora de recursos humanos da Unisys, é exemplo disso. "Senti que fui uma sobrevivente. Tive de aprender muito sobre a área financeira para acompanhar a turma, porque minha formação é Letras, mas me empenhei tanto que cheguei a ser elogiada pelo professor." Neusa concluiu seu primeiro MBA em maio deste ano na FGV-SP e foi convidada a ministrar como professora apta um módulo em gestão de RH em outro MBA, desta vez "in company", da instituição. "Eu era a única mulher da minha turma", relembra a executiva.

Katia Ortiz, gerente da unidade de servidores ISeries da IBM Brasil, também sentiu-se minoria quando cursou seu primeiro MBA, em 2001, na São Paulo Business School por ser uma das únicas três mulheres da turma. Hoje cursa seu segundo MBA, desta vez "in company", e comprova a tese de que nessa modalidade a proporção de mulheres é mais equilibrada.

Levantamento feito pela consultora carioca Jacqueline Resch em seu escritório especializado em recolocação de executivos, detectou que o curso MBA integra 60% dos currículos masculinos contra 40% dos femininos. "A mulher não está parada. Busca especialização nem sempre via MBA, até por ser mais caro, mas através de outros tipos de cursos. É questão de tempo para isso se alterar", acredita. Afinal, complementa, qualquer profissional sabe que o fator determinante para a contratação é e sempre será a competência, embora a primeira avaliação seja realizada com base no currículo e é aí que aparece o indicador do investimento de um executivo na educação contínua.

"Três anos atrás, o percentual de mulheres cursando MBA aqui no Ibmec São Paulo era de 15%, hoje é entre 25% e 30% e há épocas em que fica maior", avalia Ricardo Mollo, coordenador do MBA Finanças da instituição. Segundo ele, há dois fatores que explicam isso. O primeiro é a famosa dupla jornada. O segundo ponto é que ainda existem menos mulheres à frente de altos cargos de chefia. A Faap é outra que registra a média de 30% de mulheres em seus MBAs. Mas para surpresa de muitos o MBA em Direção de Empresas chega a registrar 50% de presença de executivas, diz Mario Pascarelli Filho, coordenador do MBA Profissional da instituição.

A ESPM tem também seu levantamento sobre a participação feminina nos MBAs. Carlos Eduardo de Barros Monteiro, diretor geral da área de pós-graduação, diz que dos 953 alunos matriculados em todo o Brasil, 44,7% são mulheres. Segundo ele, o boom da entrada da mulher nesse tipo de curso aconteceu nos anos 70, mesma época em que "elas" começaram a participar mais ativamente do mercado de trabalho. Agora, as estatísticas mostram como anda o mercado neste exato momento. Mas o diretor alerta. "A competitividade em geral vem crescendo e tanto profissionais do sexo masculino como do feminino demonstram amadurecimento e disposição de investirem cada vez mais na educação."

[Valor Econômico ]




 
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