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13/01/2006


Entrevista - Timothy Mulholland - O MEC precisa liberar mais vagas


Para Timothy, o MEC não cumpre a sua obrigação: sem benesses Qual é o déficit de professores na Universidade de Brasília? É de 300 professores. Para alcançar a média nacional de 14 alunos por professor precisaríamos de 395. Nosso percentual de vagas públicas no total do ensino superior é o pior do país. Daí a nossa necessidade de expansão. O setor público não está cumprindo seu papel e o MEC não faz sua obrigação. Tudo o que construímos na UnB foi com sangue, suor e lágrimas, não com benesses do governo.

Quais são os cursos mais afetados por esse problema? Os mais carentes de professores são os cursos novos como veterinária, farmácia e japonês, além de cursos noturnos e licenciaturas em ciências. Na sociologia, por exemplo, houve uma aposentadoria em massa, o que aumentou o déficit.

De que forma a falta de professores afeta o dia-a-dia da universidade? Esse problema pode comprometer a expansão da UnB, que é vital para o Distrito Federal e para o Entorno. Já estamos no limite da nossa capacidade e a falta crônica de docentes impede o crescimento da instituição e limita a criação de cursos a distância. Para este semestre, já temos prontos os cursos a distância de administração e licenciatura em biologia. Em breve, vamos lançar os cursos de educação física, letras e artes.

Qual é a solução para esse problema? O Ministério da Educação distribuiu 1.750 vagas para expansão, mas a UnB não recebeu nenhuma. Pedimos 90 vagas, para os três novos campi. Nossa expectativa era a de receber pelo menos 20 ou 30, para assegurar os cursos nas novas unidades. Como vamos fazer a expansão se não temos professores? O Ministério da Educação precisa liberar mais vagas para sairmos dessa crise.

O que a UnB está fazendo para sensibilizar o governo? Temos conversado com a classe política e já conseguimos uma emenda de R$ 6 milhões no orçamento da União para a expansão. Estamos em contato permanente com as autoridades do ministério para expor nossos argumentos. Se não tivermos esse apoio do governo federal, ficaremos muito prejudicados e estancados na expansão.

A falta de funcionários também compromete o ensino? Sim, porque precisamos usar verba de custeio para terceirizar funcionários ou contratar estagiários. Tiramos dinheiro de sala de aula para contratar servidores, o que pode prejudicar o ensino.

[Correio Braziliense ]




 
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