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Terça-feira :: 09 / 02 / 2010
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Oposição ao projeto vem de assistentes sociais
Lisandra Paraguassú
A maior resistência à criação do curso de Serviço Social dentro do presídio feminino Madre Pelletier não veio do sistema prisional ou de preocupações com a segurança, como se poderia esperar, mas de profissionais da própria área de Serviço Social. Depois do anúncio da criação do curso, o Conselho Regional de Assistência Social do Rio Grande do Sul (Cress-RS) foi inundado por telefonemas e e-mails com reclamações contra a idéia. Há desde quem questione a qualidade até quem acuse as presas de não terem condições morais de trabalhar como assistentes sociais. O Conselho convocou uma reunião, em dezembro passado, onde o assunto foi discutido. Não se chegou a uma conclusão e a polêmica continua. De qualquer modo, os conselhos não tem a atribuição de definir se um curso pode ou não ser aberto. O Cress confirma que recebeu manifestações de cunho discriminatório, mas, em carta ao Estado, a presidente do Conselho, Léa Biasi, apóia, mesmo que parcialmente, o curso. A possibilidade de presidiárias gaúchas terem acesso a cursos de nível superior constitui uma conquista. Assim o Conselho Regional de Serviço Social/RS não pode apoiar as manifestações contrárias em decorrência do fato de as alunas serem, atualmente, apenadas, diz o documento. DURAS RESSALVAS No entanto, o Cress, assim como o Conselho Federal de Serviço Social, questiona a capacidade de o curso ter qualidade. Há dúvidas sobre a real possibilidade de as presas fazerem estágios e terem acesso a pesquisas e outras experiências. A questão principal é como o projeto vai dar a essas alunas as experiências necessárias para uma educação de qualidade, pergunta a presidente do Conselho Federal, Elisabete Borgianini. Sinara Fajardo, uma das coordenadoras do curso, afirma que o Centro Universitário Metodista - IPA, que vai oferecer o curso, analisou a questão. Sabemos que vamos ter de trabalhar essas limitações. Queremos trazer para dentro da penitenciária experiências universitárias, filmes, palestras, para complementar a formação, disse.
Quanto ao estágio, Sinara explica que todas as alunas aprovadas já estarão em regime semi-aberto ou na condicional quando chegar a época de aplicar o conhecimento adquirido no curso. E já temos instituições que se ofereceram para recebê-las, sem preconceito, contou.
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