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17/07/2006


Estude na Rússia


Ficar longe da família, enfrentar o frio e aprender um idioma totalmente diferente são alguns dos desafios que 120 estudantes brasileiros irão enfrentar na Rússia, a partir de setembro. "Mas vale a pena, é uma experiência única", garante Rodrigo Pires, de 27 anos, um dos 70 estudantes brasileiros que já viajaram pelo programa de intercâmbio da Associação Latino-Americana Russa (Alar). Desde o ano passado, são oferecidas vagas nos cursos de graduação e pós-graduação em mais de 20 universidades russas. Até 25 de julho, jovens de todo o país podem se candidatar a estudar em uma das cinco melhores instituições de ensino superior da Rússia. As opções de curso são variadas: medicina, engenharias, sociologia, veterinária, tecnologia, aeronáutica, biotecnologias, agronomia, arquitetura, artes, música, história e vários outros. O novo grupo embarca em setembro, quando inicia o período letivo no país.

Os alunos começam o intercâmbio freqüentando a Faculdade Preparatória para aprender o idioma local. "Lá eles também têm aulas de nivelação específicas para o seu curso. Quem estudará medicina tem aulas de biologia, por exemplo. É para evitar problemas depois, já que as universidade russas têm um nível alto de exigência", explica Anatoli Gatsalov, presidente da Alar no Brasil. Desde outubro do ano passado, Rodrigo estudou na escola preparatória e conheceu gente do mundo inteiro. "Além de aprender russo, você ganha um curso de espanhol de brinde. O primeiro contato dos brasileiros é geralmente com o pessoal da América Latina", conta o estudante. Ele está em Brasília passando férias com a família. Veio matar as saudades antes de começar os estudos na Academia Médica de Sechenov, reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como a segunda melhor faculdade de medicina do mundo.

Os custos para estudar na Rússia são geralmente mais baratos do que em outros lugares do mundo. De acordo com Anatoli, o estudante gasta de US$ 1 mil a US$ 4 mil por ano. Em reais, R$ 2.200 a R$ 8.800, variando de acordo com a universidade e o curso escolhidos. Em Brasília, a mensalidade de um curso de medicina custa, em média, R$ 2.800. "É mais barato porque o governo russo financia boa parte dos estudos da população", esclarece Anatoli. Além de economizar e estudar em faculdades reconhecidas mundialmente, Rodrigo acha importante conhecer uma cultura que é tão diferente da brasileira. "Uma oportunidade como esta é importante não apenas pela formação, mas pelo aprendizado para a vida", diz. O estudante já era formado em odontologia pela Universidade de Brasília (UnB) quando decidiu cursar medicina na Rússia. "Gosto muito de odonto, mas me sentia limitado", revela Rodrigo, que, depois de formado, pretende trabalhar na Organização Não-Governamental Médicos sem Fronteiras, que faz trabalho voluntário em todo o mundo.

Quem cursa a graduação fora do Brasil precisa submeter o diploma adquirido a um processo de reconhecimento em uma universidade brasileira. A vantagem é que, a partir de 2010, os certificados das universidade russas serão aceitos em toda a União Européia. Razão pela qual Rodrigo está pensando em não voltar para o Brasil após concluir seus estudos. "Quando terminar tudo vou avaliar a situação, mas acho que só volto para cá para passar as férias", afirma.

INTERCÂMBIO NA RÚSSIA

Para se inscrever é preciso entrar em contato com a Associação Latino-Americana Russa (Alar), pelo telefone (11) 5505-5898, até 25 de julho.

O candidato precisa ter o ensino médio completo. O processo seletivo consiste em uma análise do histórico escolar pela Alar e entrevistas.

Estão sendo oferecidas vagas para a Universidade Estatal de Bélgorod (50 vagas), a Universidade Aeroespacial de Moscou (10 vagas), a Academia Médica Sechenov (20 vagas), a Universidade dos Povos (20 vagas), e a Universidade Politécnica de São Petersburgo (20 vagas).


[Correio Braziliense]




 
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