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17/07/2006


Estágio de férias


Embratur recebe estudantes de turismo de sete estados

Priscilla Borges

O profissional da área de turismo precisa ser versátil. Deve aprender vários idiomas, conhecer diversas cidades e desenvolver olhar crítico para analisar tudo o que uma região oferece aos turistas. Estudar as políticas públicas brasileiras também é fundamental para qualquer estudante do curso. É munido desse tipo de informação que ele terá capacidade de, no futuro, planejar a expansão das atividades turísticas de uma localidade.

Por tudo isso, conhecer o trabalho do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) faz parte das obrigações dos estudantes. A entidade dá uma ajuda e tanto aos interessados em entender as tarefas do órgão. Para os estudantes da capital, onde a sede do instituto está localizada, são oferecidos estágios permanentemente. Já os universitários das outras cidades do país podem concorrer, todos os semestres, a uma das vagas do Programa de Estágio de Férias, que existe desde 2003.

O projeto funciona em parceria com as instituições de ensino que oferecem graduação na área. As faculdades interessadas em enviar estudantes para participar do programa devem solicitar uma vaga à Embratur. Os candidatos precisam cursar o último semestre da graduação, porque farão as atividades do estágio curricular aqui e desenvolverão o projeto final de curso a respeito de algum tema de interesse ligado à empresa. No máximo, desembarcam na capital 15 jovens de outros estados por semestre.

Cada instituição tem a liberdade de decidir como escolherá o estudante que passará pelo estágio em Brasília. A única exigência da Embratur é que o universitário escolhido fale, pelo menos, dois idiomas. Os períodos de estágios começam em janeiro ou julho. O estagiário pode passar de três a seis meses na sede do órgão, ficando a critério de cada um decidir quanto tempo pretende trabalhar em terras brasilienses.

Os selecionados recebem apenas uma ajuda de custo mensal de R$ 520 para se sustentar. A baixa remuneração não espanta os estudantes. Eles dão um jeitinho de complementar a renda. O que não deixam é de aproveitar a oportunidade. Para eles, o esforço vale a experiência adquirida. É com esse espírito que 11 futuros profissionais em turismo chegaram a Brasília. Há duas semanas, a 12ª turma do programa iniciou as atividades do estágio na sede da Embratur. Animados, eles contam que já estão aprendendo muito.

Contratação

Júlia Maria Pessoa, coordenadora do estágio, explica que os estudantes assistem, primeiro, a inúmeras palestras sobre todas as tarefas e políticas desenvolvidas pela empresa, pelo Ministério do Turismo e pela Secretaria de Turismo do DF. Depois, cada um será encaminhado a uma das áreas da entidade: eventos, lazer e incentivo, pesquisas e marketing. "A procura pelas vagas é enorme, porque essa é uma oportunidade única para os estudantes conhecerem as políticas públicas do país", destaca. Segundo a coordenadora, dois ou três desses jovens podem ser contratados ao final do estágio, como ocorre em todos os semestres.

A maioria dos estagiários nunca tinha pisado na capital do país. Ainda estão em fase de descobertas. Ângela Cardoso, 27, deixou o marido em Olinda (PE) para aproveitar a experiência. "Essa é uma fase muito importante, porque é um período de adequação profissional. Temos a oportunidade de adquirir conhecimento e experiência de trabalho", ressalta. Thiago Caiafa, 22, planeja ficar cinco meses. Hospedado em casa de parentes, sente que a adaptação está sendo fácil. "Gosto da área de planejamento e acho que podemos fazer contatos importantes aqui", comenta.

Danilo Gudolle de Souza, 22, saiu de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, para estagiar em Brasília. O estudante tentou uma vaga durante um ano. "Poderei retornar à faculdade com informações importantes para outros colegas também", analisa. Beatriz Nicolau, 21, aluna de Santa Catarina, destaca que a experiência traz conhecimentos não adquiridos durante o curso. Para a jovem, todos os que possuem interesse em planejamento turístico deveriam correr atrás da oportunidade.

Para os estagiários, o período na capital será enriquecedor para a formação pessoal também. "É uma troca de culturas e sotaques aqui", brinca o estudante de Alagoas Ernani Viana, 25. Diego Gastman, 22, estudante de Santa Catarina, ressalta que a convivência com diferentes culturas estimula a formação de idéias para atrair diferentes públicos às atividades turísticas.


[Correio Braziliense]




 
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