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11/08/2006


Governo anuncia rede em prol da pesquisa


O Ministério da Saúde anunciou, ontem, a criação de uma rede inédita no Rio, formada por unidades federais, onde serão realizados tratamentos e procedimentos cirúrgicos em fase de pesquisa clínica, ou seja, de testes em humanos. Com isso o governo pretende acelerar o ritmo do desenvolvimento de tecnologia nacional em saúde e, conseqüentemente, reduzir o déficit comercial, que hoje é de US$ 5 bilhões ao ano (cerca de R$ 11,5 milhões), segundo dados oficiais.

O primeiro passo para a criação da Rede Rio de Pesquisa Clínica, que deve ser lançada em um mês, foi dado ontem, com a assinatura de um acordo de cooperação técnica entre o Instituto de Pesquisa Evandro Chagas, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Hospital de Ipanema.

A partir de agora, leitos da unidade estarão disponíveis para pacientes que se enquadrem em protocolos de pesquisa na área de doenças infecto-contagiosas e parasitárias. "O foco é desenvolver tecnologias que possam estar à disposição da população no Sistema Único de Saúde (SUS). Uma comissão vai avaliar se uma determinada tecnologia vai ou não ser incorporada", disse o secretário de Atenção à Saúde, José Gomes Temporão, explicando que a aplicação vai se dar em áreas prioritárias para a saúde pública, que ainda estão em levantamento.

Ao contrário da Rede Brasileira de Pesquisa Clínica, que ainda está sendo estruturada e conta hoje com 20 hospitais gerais, no Rio vão estar reunidos os institutos nacionais de Câncer (Inca), de Cardiologia Laranjeiras (INCL), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Fiocruz, instituições com um perfil diferenciado. Entre elas, unidades de referência no tratamento das duas principais causas de morte no Brasil: doenças cardiovasculares e câncer.

Temporão destacou ainda o caso do INCL, onde estão sendo realizadas pesquisas com células tronco para o tratamento de cardiopatias. Uma vez comprovada a eficácia do procedimento, ele passará por uma avaliação para ser incorporado ao SUS. "Teria um impacto em termos de custo, tecnologia, leitos. Uma técnica simples, muito mais barata e com um impacto sanitário brutal. As cirurgias de revascularização feitas hoje deixariam de ter sentido", disse o secretário.

No início da manhã de ontem, ele esteve no Inca, que agora passa também a fazer a coleta de sangue e o cadastramento de doadores voluntários de medula óssea, antes restrito ao HemoRio. Atualmente, há 270 mil pessoas inscritas.


[Tribuna da Imprensa]




 
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