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01/11/2006


Unimep: Reitor anuncia primeiras medidas


Sem falar em números, Davi Barros fala de enxugamento administrativo, troca de cargos, corte de jetons de reuniões e apoios para viagens

Ainda não existe a hipótese de demissão em massa de funcionários e professores na Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), mas as trocas de funções começaram a ser feitas pelo novo reitor, Davi Ferreira Barros, 63, empossado no cargo há menos de duas semanas.

Embora não fale claramente em números - "ainda não tenho esses dados, é prematuro para falar sobre isso, ainda preciso de uma reunião mais detalhada com os auditores" -, deixa claro que um enxugamento administrativo acabará sendo necessário.

Algumas medidas começaram a ser adotadas, como o corte de jetons (remuneração) em reuniões dentro e fora da universidade e uma diminuição do número de viagens pagas pela Unimep. "As viagens têm de ser melhor estudadas e justificadas e só serão aprovadas se forem de interesse único da universidade. Temos de diminuir esse tipo de despesa", adianta.

Na parte administrativa, Barros destaca que há vários funcionários com licença-prêmio e férias vencidas, o que aumenta o passivo trabalhista.

"Não vai dar para fugir, afinal teremos de adotar medidas que são necessárias para um tempo em que se exige um aperto no cinto", define.

O novo reitor também destaca que não definiu metas de economia. "Ainda não tenho isso claro, é cedo para eu dizer quando pretendo economizar, até porque boa parte do dia-a-dia da universidade caiu no meu colo", diz. Na parte curricular, contrariando a visão de que só ficarão na grade da universidade cursos que não sejam deficitários, Barros informou que filosofia, colocado na geladeira por dois anos por causa da baixa procura, este ano será oferecido de qualquer maneira. "Esse curso será subsidiado pela instituição porque acredito que é essencial, por isso terá uma diminuição da mensalidade. Filosofia é o tipo do curso que se puder ser oferecido até de graça vale a pena pelo prestígio que traz".

MUDANÇAS - "Não existe isso de dizer que vamos começar a fazer dispensas. Existem alguns casos que classifico como remanejamento de funções, com novos nomes, algo que entendo como perfeitamente normal em caso de troca de comando em qualquer instituição", disse. Segundo o reitor, logo na primeira questão de troca, na editora da universidade, aconteceram mal-entendidos, como a divulgação de que ele iria fechar o órgão. "Imagina que eu iria fazer isso! É um equívoco, a editora é parte fundamental da universidade e não pode ser descartada", afirma.

Na visão dele, o fato é sintoma de algo que vem notando desde que assumiu: a criação de um clima de insegurança no ambiente universitário. "A rádio-corredor anda funcionando mais do que nunca, parece que algumas pessoas têm medo da gente, acham que vamos chegar atirando", desabafa. Se acredita haver exagero nessas reações, a escolha de Barros para o cargo pega a universidade num momento de transição, já que ele deixou claro, desde que foi escolhido, que mudanças são necessárias. Afinal, a universidade que ele assumiu envolve números poderosos. São 11.500 alunos distribuídos em 46 cursos de graduação oferecidos em três campi: Taquaral, Santa Bárbara d'Oeste e Lins. Na pós-graduação são mais 1.500 alunos, número parecido com o quadro funcional: 629 professores e 738 funcionários. A dívida estimada é ainda mais impressionante: segundo dados recentes, ficou em torno de R$ 25 milhões.


[Jornal de Piracicaba]




 
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