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07/12/2006


Vestibular perto do fim


Reitor da UnB revela que proposta em discussão prevê fim do exame e criação de curso básico de três anos

Lúcia Leal

Em seis meses, o vestibular, pesadelo de dez entre dez estudantes, poderá mudar de cara e passar de vilão a mocinho. Esse é o objetivo do Projeto Universidade Nova, uma nova proposta de mudanças no Ensino Superior que está sendo discutida em âmbito nacional.

De acordo com o reitor da Universidade de Brasília (UnB), Timothy Mulholland, a maior novidade é o fim do vestibular, como conseqüência de uma proposta mais ampla, que é a reformulação do curso superior. Pelas discussões preliminares, em vez de cursos como engenharia, medicina, veterinária, jornalismo, o aluno ingressaria primeiro em um curso básico, de três anos, chamado de Bacharelado Interdisciplinar (BI).

A idéia já havia sido ventilada na proposta original de ensino da universidade, em que o educador Anísio Teixeira já fazia referência ao BI, em 1962. O modelo é o mesmo do College, aplicado nos Estados Unidos. "Seria uma formação genérica, mas que lhe daria um diploma de curso superior. Ao final, se for de interesse do estudante, ele pode procurar um curso específico dentro da sua área", explicou Mulholland.

É aí que entra o tão esperado fim do vestibular. O ingresso ao curso básico seria por uma forma de seleção ainda a ser estudada, mas é certo que não da forma como é hoje. "O vestibular atualmente é um processo de exclusão e o que pretendemos é a inclusão do aluno", afirmou o reitor da UnB.

Segundo o dirigente da instituição, hoje o percentual de inclusão de jovens no curso superior é de 10%. A partir do Projeto Universidade Nova, a previsão é de que a taxa suba para 30%. "A UnB tá dando 15 candidatos por vaga. A idéia é aumentar e facilitar o ingresso dos jovens no curso superior", comentou Mulholland.

O projeto foi debatido durante seminário em Salvador (BA), com presenças de representantes das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) e do Ministério da Educação. A próxima etapa deverá ser em Brasília, em março de 2007.

Em São Paulo, a experiência já está sendo feita pela Universidade Federal do ABC (UFABC). O curso de tecnologia tem hoje cerca de 1.500 alunos matriculados. Ao final, eles terão diploma e poderão optar por cursos profissionalizantes de dois anos.

O reitor acredita que o mercado de trabalho vai aceitar o novo profissional genérico, sem problemas. "Hoje é muito comum engenheiro exercendo outra profissão. Se o mercado já acolhe um profissional que se desvirtua de sua carreira, vai aceitar ainda melhor o profissional que tem conhecimento em muitas áreas."

Discussões

A UnB, segundo Mulholland, está preparada para absorver as mudanças. Uma equipe da Reitoria foi formada para levar as discussões às comunidades acadêmica e externa.

"O estudante não pode esperar. Acho que em seis meses a proposta esteja mais madura, a ponto de podermos ter mais informações. Ainda este ano, o reitor da Universidade da Bahia, líder do Projeto Universidade Nova, dará uma palestra na UnB. É um processo demorado, que precisa ser bem discutido", afirmou Mulholland.

O diretor do Colégio Sigma, Ronaldo Yungh, prefere esperar por informações mais concretas para comentar a novidade. "Por enquanto, não fomos comunicados de nada. É um assunto muito complexo para ser tratado assim, em linhas gerais."

Já os alunos parecem que aprovam pelo menos o fim do vestibular proposto pelos autores do projeto. "A idéia de facilitar a entrada dos estudantes no curso superior é boa, mas os três anos básicos, não. Estou louco para entrar na minha faculdade e me ver livre de Português, que eu odeio", disse Rodrigo Vieira, 18 anos, estudante do 3º ano do Ensino Médio.

Sua colega, Patrícia Fernandes Moreira, 18 anos, achou o projeto estranho. "Não sei bem, seria preciso mais informações para dar opinião, mas não sei se me agrada a idéia dos três anos básicos. Acho que não seriam suficientes para um conhecimento a ponto de se exercer uma profissão", comentou.

Sobre a proposta de acabar com o exame vestibular, Patrícia é enfática. "Talvez pusesse fim a esse absurdo de cotas, que sou contra. Também poderia ser menos estressante para nós, vestibulandos, que vivemos para estudar para o vestibular", completou a estudante.


[Jornal de Brasília]




 
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