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Terça-feira :: 09 / 02 / 2010
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Plínio Cabral vence prêmio em Passo Fundo
O escritor Plínio Cabral foi o ganhador do Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura, anunciado anteontem à tarde, na cidade gaúcha. Cabral, autor do romance O Riso da Agonia, recebeu pelo prêmio R$ 100 mil.
O anúncio do prêmio foi feito logo após a abertura da 10.ª Jornada Nacional de Literatura, evento organizado a cada dois anos pela Universidade de Passo Fundo desde 1981. A cerimônia de abertura contou, neste ano, com a presença do ministro da Educação, Cristóvam Buarque. Buarque elogiou o evento, que conta com 15,5 mil pessoas inscritas, afirmou que o ideal seria que as pessoas pudessem discutir a literatura como Passo Fundo e cortejou a organização afirmando que gostaria de ter "emprestada" a professora Tânia Rösing, idealizadora das jornadas e coordenadora geral do evento. Nessa hora, mais de 4 mil pessoas estavam reunidas debaixo do circo armado na universidade. Cabral, vencedor do prêmio em que concorreram 137 romances, já recebera, neste ano, o prêmio de melhor romance da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). O livro trata de uma certa "utopia brasileira" e percorre o período que vai de 1939, ano do princípio da 2.ª Guerra Mundial, até 1964, com a chegada dos militares ao poder. O livro é narrado em primeira pessoa, por um defunto-autor. Cabral também é assessor jurídico da Câmara Brasileira do Livro e publicou, além de seis romances, vários livros sobre direitos autorais. Trabalhou também como jornalista - segundo ele, o que lhe permitiu um contato mais direto com a realidade. "A arte é a vida vista pelo temperamento do artista", disse. Sobre o título do seu livro, afirmou que ele pode parecer uma contradição, mas que não é. "Todos vivemos uma agonia e precisamos dela." Logo depois do anúncio do prêmio, começou o primeiro dos debates da Jornada, com a presença de uma das "estrelas" do encontro, o historiador francês Roger Chartier, autor de uma vasta pesquisa na área da leitura. Chartier discutiu várias questões, entre elas a da permanência do livro e a da possível dominação do inglês no universo da internet. Preferiu, no entanto, concluir citando a educadora Emília Ferrero, para quem o avanço dos computadores não vai simplificar o processo de alfabetização e que comparou, certa vez, o patrimônio cultural à biodiversidade - uma vez destruído pelo homem, não seríamos capazes de recriá-lo. Fonte: O Estado de S.Paulo [O Estado de S.Paulo ] |
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