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Terça-feira :: 16 / 03 / 2010
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Pesquisa da Unicamp liga mutação a doenças do sangue
Pesquisadores do Centro de Hematologia e
Hemoterapia (Hemocentro) da Unicamp conseguiram descrever pela primeira vez em
humanos uma nova mutação no gene GATA-1, que codifica as proteínas GATA-1 e
GATA-1S. Ao interagir com o DNA, estas proteínas contribuem para determinar a
diferenciação e produção das células que compõem o sangue, num processo chamado
hematopoese. O trabalho ganhou destaque na edição on line de 18 de junho da
revista Nature Genetics. O trabalho mostra que problemas nesse gene podem causar
doenças hereditárias no sangue.
O estudo da Unicamp demonstra, pela primeira vez, a necessidade da produção das proteínas GATA-1 e GATA-1S, em sua forma integral, para a formação normal do sangue. Antes da publicação do artigo, não eram conhecidas as conseqüências de mutações hereditárias capazes de impedir a expressão da proteína GATA-1. "Esperamos que nosso estudo contribua para elucidar o mecanismo de diferenciação das diversas células do sangue a partir de uma célula precursora comum", diz o hematologista e coordenador geral da Unicamp, Fernando Ferreira Costa, que lidera equipe. "Isso é relevante porque, no futuro, a possibilidade de aumentar ou reduzir a produção de um determinado tipo celular na terapêutica de alguma doença dependerá da contribuição de pesquisas dessa natureza", completa. Intitulado Mutação hereditária gera a produção apenas da isoforma de menor tamanho do GATA-1 e está associada a eritropoese deficiente, o trabalho teve como ponto de partida a tese de doutorado da bióloga Luciana Hollanda, que atua no Hemocentro e é orientada por Fernando F.Costa. A nova mutação, identificada como 332G-C, foi detectada em sete membros de uma mesma família do interior de São Paulo. A pesquisa desenvolvida pelo Hemocentro revelou novos aspectos relacionados à mutação no gene GATA-1. Um deles diz respeito à associação entre mutações e doenças do sangue em portadores de síndrome de Down. Harvard Antes do Hemocentro publicar sua pesquisa,
sabia-se que indivíduos com leucemias megacarioblásticas agudas (AMKL) ou com
doença mieloproliferativas transitórias (TMD), e que eram portadores de Síndrome
de Down, sempre apresentavam mutações em um trecho específico do gene GATA-1,
resultando na produção unicamente da proteína GATA-1S. A mutação, nestes casos,
não é herdada, mas adquirida durante a gestação. |
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