Estudante do curso de Engenharia de Controle e Automação da Universidade
Federal de Minas Gerais (UFMG), Flávio Henrique de Vasconcelos Alves, retornou
de estágio no National Space Biomedical Research Institute (NSBRI), ligado a
Nasa (Agência Espacial Americana) onde colaborou para reduzir de meia hora para
menos de dois minutos o tempo de execução do programa de processamento de dados
de eletrocardiograma de astronautas.
O estágio em análise de sinais e desenvolvimento de ferramentas possibilitou a
Flávio colocar em prática conhecimentos adquiridos no curso da UFMG e o
resultado lhe rendeu homenagem e carta de recomendação do instituto americano.
"Valeu a pena e acho que deixei uma boa imagem da UFMG por lá. Os pesquisadores
ficaram admirados por saber que no Brasil tem universidades desse nível",
comentou.
O estudante, que está no último ano do curso atribui a oportunidade ao incentivo
e rigor dos estudos oferecido pelos professores da UFMG. "Nossos professores,
além de serem muito exigentes em relação a este tipo de teoria de sinais,
incentivam os alunos a pensar em situações práticas como a que trabalhei",
salienta.
Projeto desafiador
"Na primeira semana passei apenas lendo artigos e me familiarizando com a
linguagem médica. Não tive muita orientação como num estágio. Ao contrário, fui
posto para realizar desafios em tempo muito curto. Valeu à pena, pois ao invés
de um, consegui realizar seis projetos", comemora.
Flávio explica que o objetivo era comparar o coração dos astronautas antes e
depois de atividade em gravidade zero. "No início usei o software do instituto,
mas gastava muito tempo. Então preferi desenvolver um novo. O professor do NSBRI
me perguntou se eu conhecia a expressão "reinventar a roda". Respondi que era a
mesma em português, mas mantive minha proposta. Desenvolvi o programa que
funcionou muito bem", destacou.
O estudante conta que foi enviado a Chicago, onde a temperatura de 15 graus
negativos aumentou ainda mais o desafio. Flávio conseguiu reduzir o tempo gasto
pelo programa decodificador dos exames cardíacos de 30 minutos para apenas 108
segundos.
Entenda o tamanho do desafio:
1000 amostras são gravadas, em cada canal, por segundo. Como são 12 canais,
tem-se 12000 amostras por segundo. Para cada arquivo de 1 hora de gravação
(3600s), totaliza 43.2 milhões de amostras. Para cada arquivo, gastava-se mais
de 30 minutos e agora são gastos menos de 2 minutos (108 segundos) para
decodificá-los.
Programa de mobilidade da UFMG
No primeiro semestre de 2009, através do programa de intercâmbio coordenado
pela Diretoria de Relações Internacionais (DRI) da UFMG, o estudante, orientado
pelo professor Eduardo Mazzoni, foi para Portugal. De lá, Flávio teve a
iniciativa de fazer uma sugestão no trabalho de um pesquisador inglês da Oxford
University. A resposta foi um convite para pesquisar durante três semanas na
Inglaterra e uma carta de recomendação que garantiu a vaga para a temporada no
National Space Biomedical Research Institute.
Flávio Alves lembra que não havia nenhum edital aberto na época para este tipo
de pesquisa. "No entanto, os professores da UFMG, que além de mestres são
verdadeiros conselheiros, me incentivaram a buscar parcerias com a iniciativa
privada. Fui como estagiário da Chemtech Siemens, empresa de destaque em
serviços de engenharia que patrocinou integralmente minha viagem", declarou.
Fonte: Assessoria de Comunicação da UFMG