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Quinta-feira :: 11 / 03 / 2010
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Cursinhos pré-vestibulares alternativos crescem em São Paulo nos anos 90
DissertaþÒo de mestrado apresentada na Faculdade de EducaþÒo (FE) da USP mostra que os cursos prÚ-vestibulares alternativos, destinados principalmente a alunos de baixa renda vindos do ensino p·blico, se expandiram na cidade de SÒo Paulo durante os anos 90. O estudo analisou a trajet¾ria de 17 cursinhos que funcionaram na cidade entre 1991 e 2000, e destaca a atuaþÒo dos cursos em movimentos que reivindicam a ampliaþÒo do acesso Ós universidades p·blicas. Segundo o autor do estudo, o pedagogo JoÒo GalvÒo Bachetto, em 1990 existia apenas um cursinho alternativo em SÒo Paulo, o Cursinho da Poli. "Ao longo da dÚcada de 90, houve uma grande expansÒo da matrÝcula de alunos no ensino mÚdio, gerada pela eliminaþÒo da repetÛncia no ensino fundamental", explica. "Este crescimento aumentou a procura pelo ensino superior, e os prÚ-vestibulares alternativos surgiram para atender alunos que nÒo teriam como pagar as mensalidades dos cursinhos comerciais." O estudo mostra que os cursinhos alternativos paulistanos tÛm duas origens principais. "De um lado temos iniciativas surgidas no Movimento Estudantil, que servem como opþÒo de trabalho para os universitßrios, como o Cursinho da Poli", relata Bacchetto. "Os cursos tambÚm foram organizados por movimentos sociais, como o N·cleo de ConsciÛncia Negra (NCN), com o objetivo de criar igualdade de condiþ§es no vestibular para setores marginalizados da sociedade." InclusÒo Social Os cursinhos alternativos possuem diversas formas de seleþÒo dos alunos, podendo usar e combinar critÚrios acadÛmicos (aplicaþÒo de provas), econ¶micos (renda familiar) e sociais, como no NCN, onde 70% dos alunos selecionados sÒo negros. Segundo a pesquisa, as mensalidades variam conforme a organizaþÒo dos cursos. "Parte dos prÚ-vestibulares tÛm professores voluntßrios, cobrando s¾ uma taxa simb¾lica para permitir o acesso de alunos de baixa renda", afirma Bacchetto. "Alguns cursos ligados aos universitßrios remuneram os professores e produzem o pr¾prio material didßtico, por isso cobram mensalidades entre R$70,00 e R$100,00 reais." De acordo com o pedagogo, a maioria dos cursinhos alternativos em SÒo Paulo estÒo localizados nas proximidades da USP, mas alguns projetos estabeleceram n·cleos em bairros da periferia da cidade. "A Educafro, criada por frades franciscanos, criou salas de aula em igrejas e par¾quias, chegando a manter 80 n·cleos com 60 alunos cada um", observa. O pesquisador tambÚm destaca o envolvimento de igrejas, sindicatos e escolas p·blicas, que cedem espaþos para os prÚ-vestibulares alternativos, e as aulas de cidadania dadas nos cursinhos. "Alguns cursos oferecem aulas de consciÛncia negra, direitos humanos e prevenþÒo da AIDS, alÚm de oficinas de artes", aponta. Os cursinhos alternativos, segundo a pesquisa, desempenham um papel importante nos movimentos populares pela ampliaþÒo do acesso ao ensino superior, ao adotarem polÝticas de interferÛncia no vestibular. "Cursinhos de todo o paÝs tÛm entrado com aþ§es na Justiþa pedindo isenþÒo das taxas do vestibular nas universidades p·blicas", afirma Bacchetto. "Algumas universidades jß concedem isenþ§es e o governo federal deixou de cobrar pelo Exame Nacional do Ensino MÚdio (Enem) depois de vßrias aþ§es judiciais de prÚ-vestibulares alternativos", conta. Fonte: USP |
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