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Ao falar sobre vestibular, o "perito em Fuvest" (Fundação Universitária para o vestibular) Renato Amaral, de 34 anos, autor do livro "Vestibular sem medo: passei quatro vezes na Fuvest" ressalta que é preciso, antes de mais nada, escolher bem a profissão. Isso porque nem mesmo o fato de passar entre os primeiros é garantia de ter feito uma boa escolha. Conversando com estudantes que passaram nas primeiras colocações, é possível perceber o quão relevante é esta afirmação.
Isto porque, além da excelente pontuação, outro denominador comum observado nos candidatos que conquistaram os primeiros lugares é uma certa inquietude em relação ao seu conhecimento. Muitos deles prestaram diversos cursos, às vezes de áreas distintas, outras vezes, compatíveis. E, na maior parte dos casos, tendo sido aprovados nas primeiras colocações. Acompanhe a conta.
O pesquisador do Instituto de Bioquímica da USP (Universidade de São Paulo), Douglas Vasconcelos Cancherini é um destes exemplos. "O primeiro vestibular que eu prestei foi na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), em 91, para Engenharia da Computação, quando ainda estava no primeiro colegial. No ano seguinte, prestei Unicamp e passei em 1º em Engenharia Elétrica. Também prestei Fuvest e fui o1º em Biologia. No terceiro colegial, fui o primeiro em Medicina na Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquista Filho) e fui o segundo em Medicina da USP, onde resolvi, finalmente, ingressar. Depois disso tudo, em 2000, quando estava fazendo um doutorado em Fisiologia no Instituto de Ciências Biomédicas da USP, ingressei na minha segunda faculdade, que foi o curso de Física."
Segundo Cancherini, o ingresso no curso de Física foi uma tentativa de complementar uma deficiência que ele sentia em relação às Ciências Exatas na Medicina. "A gente não tinha isso no curso e eu sentia que precisava me aprofundar nesta área", explica. O jovem conta ainda que, embora tenha concluído sua graduação em Medicina, o curso não o satisfez. "O curso de Medicina prepara o estudante para ser médico, não pesquisador. Ao longo da graduação, e, depois, na pós-graduação, descobri que queria fazer pesquisa, daí a minha inquietude em relação ao curso e a necessidade de estudar cada vez mais", diz. É por isso que, hoje, ao ser questionado se faria uma outra graduação, Cancherini é enfático: "Sem dúvida, e até sei qual seria: Ciências Moleculares, na USP. Creio que ela prepara bem melhor pra carreira acadêmica do que o curso de Medicina."
Rigel Alves Rabelo de Oliveira (foto à direita), 24 anos, também possui uma longa e brilhante trajetória nos vestibulares. Aos 16 anos, prestou seu primeiro vestibular para o curso de Medicina na UFS (Universidade Federal de Sergipe) e não passou, foi o 33º excedente. No ano seguinte, com medo de ficar de fora da Medicina, prestou para Odonto (na UFS de novo) e foi o segundo colocado do curso. Com a pontuação obtida, o jovem poderia entrar em Medicina, por isso, optou pela mudança. Ironia do destino, Rabelo não gostou do curso e, após três semestres, deixou a Medicina de lado para prestar o vestibular de Ciências da Computação na UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e na UPE (Universidade de Pernambuco) - passou nas duas. Só para constar, no mesmo ano, o jovem prestou o vestibular de Física na UFS (foi o 8º geral do curso).
Já cansou de tantas provas? Rabelo não. Embora o estudante tenha decicido cursar Ciências da Computação na UFPE, como ele mesmo diz "a grana ficou curta" e ele foi obrigado a voltar para Sergipe. Assim, abandonou o curso e se viu, novamente, às caras com o vestibular. E, adivinhe: passou nas primeiras colocações. "Em 2003, prestei Ciências da Computação na UFS e fui o 1º colocado do curso e 11º colocado geral do vestibular. Depois, ingressei em 1º lugar em Matemática - licenciatura na UFS", lembra.
Mas, Rabelo de Oliveira não parou por aí. Com tantas oportunidades de emprego como professor de Ensino Médio e cursinho que se abriram - graças a visibilidade que conseguiu por conta de seu bom desempenho em tantos vestibulares seguidos - aliado a sua vontade de obter logo um sucesso profissional, ele foi deixando de lado, gradativamente, a universidade e mergulhando cada vez mais no trabalho. "Hoje o meu maior objetivo é me formar e para isso deixei todas as aulas que tinha no turno da noite para me dedicar a universidade", afirma. Ele tranferiu o curso Matemática - Licenciatura também para outra universidade, a Unit (Universidade Tiradentes), principalmente devido aos horários. Outro aspecto que influenciou a mudança foi o período de graduação que deminuiu de cinco anos na UFS para três anos na Unit. "Acredito que em cerca de um ano e meio esteja concluindo o curso e poderei partir para um mestrado e, na seqüência, um doutourado", planeja.
Vinícius Cifú Lopes, de 24 anos, 1º colocado no Vestibular da Fuvest, em 2001, diz que, embora não tenha desisitido da Matemática, algumas vezes olhou a lousa e pensou: "isso é completamente diferente do que eu achava, não tenho nem cabeça para isso." Em seu caso, ele acredita que um pouco de perseverança fez bem. "Escolhi Matemática pura por vários motivos. Em primeiro lugar, porque gostava do assunto; em segundo, não gostava de outras matérias escolares, nem de nada relacionado a Medicina, Engenharia, Direito, etc, etc, etc; terceiro, eu sempre tive facilidade nisso; e, por fim, creio que a história da matemática seja repleta de heróis. Tem aqueles trágicos, mas há, também, os que se saem muito bem", afirma.
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