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Criatividade é matéria-prima dos designers gráficos

Profissão ganha espaço, mas ainda sofre com a falta de regulamentação

Publicado em 21/02/2008 - 12:00

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Do Universia

Você é daqueles que só de ver um logotipo lembra a qual empresa ele está atrelado? Gosta de ler revistas com cores vibrantes, imagens bem feitas e que tenham aspecto visual chamativo? Então você pode ter dentro de si o espírito de um designer gráfico, profissional responsável por dar vida ao projeto gráfico de revistas, websites, jornais e produtos que precisem de um apelo visual para ser comercializados, sempre com abordagem criativa.

Íntimos da área de Comunicação, tais profissionais são encontrados com facilidade tanto em redações jornalísticas, quanto em agências de publicidade, além de também marcarem presença nos departamentos de criação de grandes empresas. Segundo o coordenador do Centro Universitário Belas Artes, Sérgio Casanova, a capacidade de desenvolver projetos visuais tanto de aspecto físico como digital permite um amplo leque de oportunidades de trabalho para tais profissionais. Além disso, o crescimento expressivo da Internet também contribui para que o designer gráfico seja cada vez mais procurado.

Ainda que no Brasil o mercado seja promissor, com número crescente de vagas, a profissão de designer gráfico enfrenta problemas que atrapalham sua organização, o maior deles é a falta de regulamentação específica. "Isso prejudica a todos, inclusive as universidades, que ficam sem referência para montar suas grades curriculares", diz Casanova. A falta de regulamentação também abre espaço para que os 'micreiros', curiosos que aprenderam a usar ferramentas de criação visual dos computadores, invadam o mercado e disputem espaço com profissionais graduados, o que aumenta a concorrência e põe em xeque a expectativa salarial da categoria.

Na opinião da designer gráfico Andréa Kulpas, do Escritório de Marcas Sebastiany, outro ponto negativo da profissão é que muitos ainda desconhecem sua importância e ignoram os conhecimentos necessários para se desenvolver um projeto visual. Tanto que, na hora de fechar um projeto, é muito comum que a visão do cliente, ainda que equivocada, se sobreponha a do profissional da área. "Nem sempre a metodologia resolve. Há casos em que o cliente, irredutível, quer que o trabalho seja feito do seu jeito. Aí, temos de abrir mão de nossas crenças para atender à expectativa dele", reclama Andréa.

Entenda a diferença

Desenho Industrial ou Design Gráfico? Até pouco tempo, a modalidade Design gráfico estava atrelada ao curso de Desenho Industrial. No meio da graduação, o estudante escolhia em que tipo de projeto ele pretendia se especializar. Hoje, existem cursos voltados apenas para Design Gráfico. "A principal diferença entre um e outro é que o graduado em Desenho Industrial sai da universidade preparado para projetar automóveis e móveis, entre outras coisas. Já o designer gráfico estará apto para seguir na criação de projetos visuais", explica Casanova.

Agora veja os exemplos de um pré-universitário, um universitário e um profissional que escolheram o Design Gráfico como profissão:

Idade: 16 anos

Mirela Marcato

Idade: 20 anos

Onde estuda: Senac-SP (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial de São Paulo)
Bruno Barbosa Araújo

Idade: 28 anos

Profissão: Graduado pela Unesp (Universidade Estadual Paulista)

Andréa Kulpas, Designer Gráfico do Escritório de Marcas
Sebastiany

Vestibulando - Por que escolheu a profissão?

Escolhi a profissão de Design Gráfico porque sempre gostei de Artes e queria algo relacionado a design de logotipos. Também porque gostaria de trabalhar com criação para revistas, jornais e outros veículos de comunicação.

Graduando - Por que escolheu a profissão?

Sempre me interessei pela área de comunicação, mas fiquei dividido entre Jornalismo e cursos afins. Achei que o Design juntava tudo isso. A multidisciplinaridade da profissão é que me chamou atenção.

Profissional - Por que escolheu a profissão?

A parte artística das coisas sempre despertou minha atenção, mas de uma maneira mais séria. No Design identifiquei que poderia realizar isso da maneira que sempre quis.

Vestibulando - O que espera do curso?

Espero que não envolva muita História, que seja bem eclético, sem nenhum preconceito e que abra espaço para novos projetos e opiniões.

Graduando - O curso corresponde às suas expectativas?

Corresponde sim, é um curso bastante dinâmico e prático, porque temos semestres divididos por temas. Todas as matérias por semestre são relacionadas ao mesmo assunto. Você sempre acaba os semestres com projetos e já sai do curso com um portfólio.

Profissional - O curso correspondeu às suas expectativas?

Em princípio, não. Eu tinha uma idéia muito melhor do curso. A universidade estava um tanto quanto sucateada e o currículo desatualizado. Com o tempo, me adaptei e tentei fazer o melhor.

Vestibulando - Quanto espera ganhar depois de formada?

De R$2.000 a R$ 2.500.

Graduando - Quanto espera ganhar depois de formado?

Inicialmente, entre R$ 3.000 e R$ 4.000.

Profissional - Quanto ganha?

Aproximadamente R$ 2.000.

Vestibulando - O que acha que vai encontrar de melhor na profissão?

Sempre fui bem criativa e acho que nesse curso vou poder explorar minha criatividade ao máximo. Acredito que organizar algo para uma empresa e ver seu sucesso, conseqüentemente, também será meu sucesso.

Graduando - O que acha que vai encontrar de melhor na profissão?

O que é muito bom é que você não tem rotina, não faz a mesma coisa. Cada cliente tem um trabalho, cada trabalho tem um software. É uma profissão muito original, porque ninguém pensa igual e nem cria igual.

Profissional - O que acha de melhor na profissão?

Gosto muito de fazer marcas. Eu sempre aprendo muito quando desenvolvo pesquisas para este fim e também adoro encontrar soluções de maneira criativa.

Vestibulando - O que você acha que vai encontrar de pior na profissão?

A dificuldade pessoal em desenhar. Embora eu goste muito, tenho feito cursos para me aprimorar nesse sentido.

Graduando - O que você acha que vai encontrar de pior na profissão?

O design aqui no Brasil é pouco valorizado. Muitos empresários ainda não sabem a importância desse campo para suas empresas. Além disso, profissionais que não são especializados na área (micreiros), muitas vezes, desempenham a função de designers. Creio que os designers não devam permitir que isso influencie no mercado e, com isso, que as oportunidades de trabalho e os salários caiam. O problema é que a profissão não é regulamentada.

Profissional - O que você acha de pior na profissão?

Nem sempre a metodologia resolve, nem sempre se valer de teorias da faculdade dá certo. Há casos em que o cliente vai querer que o trabalho seja feito do jeito dele, de maneira irredutível. Aí, temos de abrir mão de nossas crenças para atender à expectativa do cliente.

Vestibulando - Que análise você faz da profissão no Brasil?

Em minha opinião, faltam profissionais na área. Para mim é bom, mas para o país talvez não. As empresas precisam da informação visual e é uma pena que tenham demorado tanto para se dar conta da importância disso.

Graduando - Que análise você faz da profissão no Brasil?

A profissão é relativamente nova. Pessoas que fizeram Desenho Industrial ou Arquitetura trabalham com Design Gráfico. Por ser uma profissão nova, há muito espaço. O problema é que por se tratar de um 'mercado novo' isto também gera desconfiança em relação à profissão, além do fato de que muitos ainda desconhecem a importância deste profissional.

Profissional - Que análise você faz da profissão no Brasil?

O Design já teve altos e baixos e está num processo de evolução novamente. Vejo uma explosão muito forte, principalmente na Internet, isso aumenta a exposição dos designers e é positivo para a profissão.

Vestibulando - Que dica você daria a estudantes que estão em dúvida entre Design Gráfico e outras áreas?

Além de ser uma profissão que tem muitas vagas, se você for uma pessoa criativa e estiver disposto a trabalhar num ambiente de escritório, a profissão é ótima.

Graduando - Que dica você daria aos estudantes interessados em Design Gráfico?

É um curso muito prático. Se você gosta, não terá dificuldade. O curso é atrativo, descontraído, o mercado está crescendo muito. Eu defendo que vale à pena. Minha dica é: quem tem interesse, siga a profissão, pois não irá se arrepender.

Profissional - Que dica você daria aos alunos interessados nessa profissão?

Quando eu fiz faculdade me decepcionei porque achava que ia aprender tudo lá. Não é bem assim, mas serviu como base. Estude, desenhe muito e faça os trabalhos, porque essa é uma ótima experiência.


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