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Por Lílian Burgardt, de Florianópolis (SC)
Na tarde desta segunda-feira, 17 de julho, durante a 58ª Reunião Anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) o presidente da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), Jorge Guimarães, apresentou o novo PNPG (Plano Nacional de Pós-Graduação) e suas respectivas metas e ações para promover o crescimento e o aprimoramento da pós-graduação do País.
Elaborado por uma Comissão instituída por Guimarães, o Plano Nacional de Pós-Graduação PNPG 2005-2010, contou com a colaboração dos representantes de todos os segmentos que atuam na pós-graduação: universidades e pró-reitorias, sociedades científicas, coordenadores de programas e cursos de pós-graduação, representantes de área da CAPES, comitês assessores do CNPq, comitês gestores dos fundos setoriais do MCT, Associação Nacional de Pós-Graduandos e setor empresarial.
O Plano, aprovado pelo então Ministro da Educação, Tarso Genro, em 2005, prevê uma série de ações que tem por objetivo dar continuidade ao crescimento da pós-graduação no País. Durante a palestra, Guimarães apresentou as principais metas estipuladas pela Capes até o ano de 2010. Entre elas, estão: o aumento do número de pesquisadores tanto em nível de mestrado como de doutorado; o crescimento da oferta de bolsas de estudo; o incentivo da cooperação entre universidade e empresa; o aumento da cooperação com agências e com estatais e, também, mais investimentos em programas de cooperação internacional.
Segundo Guimarães, tais iniciativas são de fundamental importância para que o Brasil continue avançando no que diz respeito a sua produção científica. "O Brasil cresce expressivamente no que diz respeito à produção científica, mas ainda é pequeno o grupo de pesquisadores", revelou.
Dificuldades
Ao passo que cresce a produção científica do Brasil - ocupamos, hoje, o 17º lugar no ranking mundial - a pós-graduação precisa enfrentar muitos desafios para continuar a se desenvolver, muitos deles, estão previsto no PNPG até 2010. Segundo o presidente da Capes, há um "gap" entre o número de alunos e de bolsistas que contam com auxílio da instituição. A questão regional também é outro entrave, uma vez que há regiões que têm demandas e que são carentes na oferta de cursos.
A falta de mão de obra-qualificada para ministrar aulas de Ciências e Matemática no Ensino Fundamental é outra preocupação da Capes. "É daí que saem os pesquisadores do futuro, uma vez que 16% das patentes são provenientes das áreas de Engenharia e Computação e, obrigatoriamente, eles têm contato com Ciência e Matemática no Ensino Fundamental, uma área que é deficiente no Brasil", disse. Segundo Guimarães, não há dúvida que é preciso qualificar os professores do Ensino Fundamental. Sendo assim, duas ações que a Capes prevê até o ano de 2010 são: investir em bolsas PIBIC para Licenciatura em Ciência e Matemática e fomentar os mestrados profissionais para qualificar estes professores.
Outra dificuldade apresentada por Guimarães, mas que já conta com uma iniciativa da Capes para reverter o atual cenário, é que, no Brasil, em especial nas empresas estatais, há uma demanda crescente por Recursos Humanos, algo que, em médio prazo, caso não se tenha investimentos, a pós-graduação do país não será capaz de suprir. "Até 2010, a Petrobrás irá precisar de 60.000 técnicos especializados em Petróleo e Gás. Hoje, não temos como capacitar todo este pessoal, mas estamos investindo nesta área para suprir tal necessidade antes que seja preciso "importar" mão-de-obra qualificada", explicou.
Muitos são os desafios do PNPG até 2010, mas Guimarães se mostra confiante que os resultados serão atingidos, uma vez que o setor apresenta um crescimento exponencial a cada ano. "A pós-graduação no Brasil tem apresentado um crescimento contínuo e vertiginoso. Caso não tenhamos nenhum problema de ordem financeira, não tenho dúvidas que as metas serão atingidas", afirmou.
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