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Dentre os desafios propostos pelo Prêmio Santander de Empreendedorismo, está o de vender a idéia à comissão julgadora, que escolherá o projeto a partir de sua viabilidade mercadológica e financeira. Essa apresentação é feita por meio do sumário executivo e do plano de negócio. Não se deixe enganar, essas não são etapas meramente burocráticas e podem acabar com as chances de um projeto se não forem feitas adequadamente.
Quem explica é Afonso Cozzi, coordenador da comissão julgadora do Prêmio Santander de Empreendedorismo. Na opinião dele, por mais inovadora e criativa que seja a idéia, ela precisa ser bem apresentada para convencer os juízes de que a sugestão tem potencial para se transformar num bom negócio. "O primeiro contato da comissão julgadora com a proposta é o sumário executivo. Daí a importância da dedicação para produzir esse documento", diz Cozzi.
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- Não se restrinja à apresentação da idéia |
E o caminho é comum para as quatro categorias do Prêmio: Indústria; Tecnologia da Informação e Comunicação; Biotecnologia; e Cultura e Educação. Os participantes de todas as categorias devem respeitar a data limite para a entrega do documento, que segue as inscrições do Prêmio Santander de Empreendedorismo e vai até o dia 23 de agosto.
Segundo Cozzi, em geral o sumário executivo deve conter de quatro a dez páginas. "Pode ser considerado um pequeno resumo do Plano de Negócio", compara ele, que enfatiza a necessidade do documento conter a apresentação da proposta, a explicação da viabilidade de mercado e do retorno financeiro. "Nessa etapa, não é necessário apresentar a simulação financeira, tampouco a descrição detalhada das ações estratégicas para comercialização", afirma ele ao lembrar que essas informações serão cobradas apenas na fase seguinte.
O objetivo do documento, de acordo com o coordenador, é identificar as propostas com potencial empreendedor real, ponto em que muitos candidatos fracassam. "Com a vivência do meio acadêmico, muitos se dedicam a apresentar a descoberta exclusivamente dentro da universidade e transformam o sumário executivo num resumo da tese, monografia ou dissertação", declara ele. "A descoberta pode ser muito boa, mas só isso não basta. É preciso ter aplicabilidade", acrescenta Cozzi. Portanto, além de mostrar a inovação, o candidato também deve apresentar o modelo de empreendimento em que a oportunidade pode ser explorada.
Plano de negócio
De acordo com o regulamento da 5ª edição do Prêmio Santander de Empreendedorismo, apenas candidatos pré-selecionados na primeira eliminatória deverão submeter os planos de negócios à banca julgadora. Serão aprovados três projetos em cada categoria, resultando em 12 por cada uma das três regionais (I-Sul; II-Sudeste; e III-Norte, Nordeste e Centro-Oeste). A lista dos classificados está prevista para ser divulgada até 31 de agosto. Os semifinalistas terão de 1º a 20 de setembro para incluir a descrição completa do negócio na candidatura.
O material, de acordo com Cozzi, deve conter a visão e a estratégia da empresa, bem como descrever o objetivo de maneira estruturada e consistente. "Nessa etapa, é preciso apresentar o estudo de viabilidade mercadológica e o planejamento financeiro. São esses documentos que comprovam as reais possibilidades de rentabilidade do negócio e minimizam os riscos do investimento", explica Cozzi. Ele alerta para a dificuldade dos candidatos em produzir o plano de negócio. "São poucos os estudantes brasileiros que têm acesso à formação empreendedora", lamenta ele.
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Sem conhecimentos nas áreas administrativa e financeira, Liangrid foi desclassificado em 2007. Aproveitou a derrota para desenvolver o plano de negócio e venceu a edição posterior. |
O vencedor de 2008 na categoria Tecnologia da Informação e Comunicação, Liangrid Lutiani da Silva, teve problemas ao elaborar o plano de negócio. Segundo ele, faltaram conhecimentos prévios nas áreas administrativa e financeira, o que minou as possibilidades em sua primeira tentativa. No entanto, a desclassificação na edição de 2007 acabou, segundo conta, por servir de aprendizado para reformulação e aprimoramento do planejamento. "A primeira vez que me deparei com o concurso não tinha idéia de como fazer um plano de negócio. A idéia já estava bem estruturada, mas não sabíamos como colocá-la no papel nem como torná-la agradável aos olhos dos juízes", lembra ele.
Segundo Silva, o desafio foi muito maior por desconhecer os caminhos para a construção do plano de negócio. "Em vez de lamentar a perda, analisei o que aconteceu e fui em busca de informações. Continuei a tocar o projeto e a aprimorar o plano e a idéia até a inscrição na edição seguinte, quando consegui ganhar o prêmio", afirma o engenheiro. "Não se pode escrever qualquer coisa. A redação do documento requer pesquisas prévias", orienta Silva.
Por isso, o tempo é outro recurso a ser administrado durante a construção do plano de negócio. É o que sugere Cozzi, que afirma serem necessário pelo menos três meses para a confecção do documento. "Os candidatos não devem esperar o resultado da pré-seleção para arquitetar o planejamento do empreendimento. Até porque, 20 dias não são suficientes para levantar todas as informações essenciais ao plano", declara o coordenador. Para ele, mesmo que o candidato não seja aprovado, o trabalho não terá sido em vão. "O documento, além de refletir sobre o futuro do negócio e contribuir para que os objetivos da empresa se concretizem mais rápido, também poderá ser aproveitado para a captação de recursos com angels, venture capitals ou agências de fomento", sugere Cozzi.
Apesar de indicar uma metodologia para a realização do plano de negócio, o Prêmio Santander não exige padronização. "Basta que os participantes atendam aos objetivos do documento. A ausência de qualquer informação pode comprometer a avaliação", alerta Cozzi. (Clique aqui e aprenda a montar o plano de negócio com o tutorial preparado pelo Universia.)
Para que os participantes dessa edição não enfrentem as mesmas dificuldades de Silva, Cozzi recomenda também a utilização dos recursos oferecidos nas universidades em que os candidatos estudam. "Há instituições que possuem centros de empreendedorismos, algumas mantêm até empresas incubadas. Então, por que não usufruir dessas possibilidades?", questiona ele. Na opinião de Cozzi, é preciso explorar mais os conhecimentos dos orientadores. "Eles têm muito a contribuir e, quando inseridos no processo de inscrição, são capazes de evitar erros que podem comprometer a classificação. O processo colaborativo só tende a aumentar a probabilidade de sucesso do negócio", acredita ele.
Ambiente de treinamento
Todos os candidatos inscritos no Prêmio Santander de Empreendedorismo têm direito de participar dos cursos on-line. Para os empreendedores, há três treinamentos disponíveis, todos criados com a supervisão da Fundação Dom Cabral. "O primeiro é uma iniciação à jornada empreendedora, que explica o processo para a criação de um negócio. O segundo programa é destinado exclusivamente ao plano de negócio e a última alternativa se restringe à orientação financeira, ao retorno financeiro de um produto ou serviço", explica Cozzi.
Os orientadores também podem usar esse ambiente de treinamento para realizar um curso sobre teoria empreendedora. "A iniciativa tem por objetivo alertar a respeito da importância dos sonhos para a construção de uma empresa", explica o coordenador da comissão julgadora. No espaço virtual também estão disponíveis artigos e vídeos que ajudarão na criação de um projeto viável mercadológica e financeiramente. Todos esses recursos podem ser acessados no portal oficial dos Prêmios Santander a partir da identificação de usuário e senha no ato da inscrição.
Para os candidatos com dúvidas sobre a construção do sumário executivo, do plano de negócio ou do regulamento, a comissão organizadora oferece um Fórum On-line, espaço aberto para esclarecimento de dúvidas e promoção de debates sobre o universo empreendedor.
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