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O surto do vírus influenza A (H1N1), causador da popularmente conhecida gripe suína, colocou o mundo em alerta. Apesar de planos de contenção de órgãos internacionais e das medidas dos governos locais, o problema resiste e se espalha. O Universia entrevistou o infectologista Celso Granato, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), que explicou os principais pontos da doença. O especialista apontou ainda medidas preventivas contra a proliferação do vírus. Veja abaixo os principais trechos dessa entrevista e conheça mais sobre o problema para entender como é possível evitar contaminação.
Universia - O que é a gripe suína? Como surgiu o vírus influenza A (H1N1)?
Celso Granato - A gripe - doença respiratória contagiosa - é relativamente comum entre porcos e pode ser transmitida ao homem. É interessante, no entanto, que não houve até o momento nenhum surto de gripe entre esses animais no México, tampouco nos Estados Unidos. Isso dificulta a identificação e a explicação do surgimento deste vírus. Mas com uma análise do RNA viral, foi possível identificar uma mutação com 'impressão digital' do vírus do porco, de aves e de humanos.
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Dr. Celso Granato Professor de doenças infecciosas da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e infectologista do Instituto Fleury. |
Universia - Como o vírus pode ser transmitido?
Celso Granato - O vírus da gripe é transmitido por meio de secreção respiratória, tanto para a transmissão entre animais e homens como para a difusão entre seres humanos. Há apenas três vias de multiplicação conhecidas. Enquanto na primeira forma a transmissão acontece a partir da eliminação do vírus pela fala, a segunda é desencadeada pelas partículas eliminadas pelo espiro ou a tosse que se instalam por alguns minutos no ar. Já a terceira via de transmissão da gripe é o contato. É natural que as pessoas infectadas levem as mãos à boca ao tossir e espirar. Num instante seguinte, a mão com o vírus pode cumprimentar alguém ou apenas tocar em algum objeto que poderá ser tocado por outra pessoa. O contato da mão contaminada com os olhos, a boca ou o nariz propicia a transmissão.
Universia - A gripe suína pode ser transmitida por meio do consumo de alimentos derivados do porco?
Celso Granato - Não há nenhum risco da contaminação por alimentos. O vírus da gripe não sobrevive ao cozimento da comida. Portanto, o consumo de carnes de porco não precisa ser interrompido.
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Universia - Quais são as pessoas mais suscetíveis a contrair o vírus?
Celso Granato - Todas as pessoas, independente do sexo, da idade ou da raça, estão sujeitas a contrair o vírus influenza A (H1N1). Mas, embora a maioria dos casos tenha acontecido entre os jovens, há sempre uma preocupação maior com os idosos. Essa parcela da população tem uma resistência menor a gripes em geral. Além disso, com a imunidade mais fraca, podem adquirir formar mais graves da infecção. O mesmo pode acontecer com crianças menores de dois anos de idade.
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Universia - Como evitar o contágio?
Celso Granato - A transmissão por gotículas - ou seja, pela fala - pode ser evitada com o uso de máscaras cirúrgicas. Método não tão eficiente para a contaminação aerossol e por contato. Nesses dois casos, a recomendação é evitar locais de grandes aglomerações e lavar as mãos freqüentemente, além de evitar colocá-las na boca, nos olhos e no nariz. No Brasil, ainda não é indicado que a pessoa saia de máscara na rua, mas não é um absurdo que aqueles que estão gripados utilizem a proteção como respeito às pessoas com a qual convivem.
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Universia - E para os brasileiros que já têm viagens marcadas para o exterior, é recomendável que cancelem o embarque?
Celso Granato - Nesse momento a OMS (Organização Mundial da Saúde) não tem contra-indicado nenhuma viagem ao exterior, nem mesmo para o México. Mas se for possível evitar o embarque, pode ser uma medida de proteção e bom senso. Caso contrário, basta tomar os devidos cuidados durante a estadia fora do país.
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Universia - A vacina da gripe convencional pode contribuir de alguma maneira?
Celso Granato - Essa vacina muito provavelmente não protege contra o vírus da influenza A (H1N1). No entanto, é eficiente contra todas as outras formas de gripes. Menos gripado, a pessoa terá menos dúvidas em relação a uma suposta contaminação.
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Universia - Quais são os cuidados que a população tem de ter com a automedicação?
Celso Granato - A automedicação é ruim para o bolso e principalmente para a saúde. Ao invés de se proteger, muitas vezes a medida acaba por prejudicar. Todos os remédios têm efeitos colaterais, além de ser sintomáticos. Na melhor das hipóteses, pode inicialmente amenizar o mal-estar, mas não combater o vírus. O risco é tomar um medicamento quando na verdade não pode tomá-lo. A Vitamina C, diferente do que o senso comum prega, também não representa qualquer proteção contra a contaminação. O indicado é procurar o médico.
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Universia - Quais são os sintomas da gripe suína? Há uma diferença em relação a gripe comum?
Celso Granato - Os sintomas são similares ao da gripe comum, até porque a única diferença entre os vírus é a origem. Além de febre alta (acima de 38º), os pacientes infectados apresentam dores musculares e nas juntas, dor de cabeça, tosse, irritação nos olhos e, às vezes, um pouco de secreção. A doença pode causar ainda náuseas, vômitos e diarréia.
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Universia - Como diferenciar os sintomas da gripe suína com relação aos do resfriado ou da dengue?
Celso Granato - A dengue e o resfriado também têm sintomas similares à da gripe suína. No entanto, seus reflexos são mais leves. No resfriado, por exemplo, apesar da coriza ser mais freqüente, a febre - quando apresentada - é muito mais baixa. Além disso, as dores musculares e o abatimento não são tão intensos quanto os apresentados nos casos da gripe suína. Na dúvida, é recomendável procurar o médico que fará o diagnóstico correto.
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Universia - Como é feito o diagnóstico? Quando os pacientes se tornam casos suspeitos?
Celso Granato - O diagnóstico da doença é realizado em diversas etapas. A primeira delas é a avaliação clínica - quando o médico analisará se os sintomas do paciente são similares ao provocado pelo vírus e ainda considerar seu histórico. Só fazem parte do grupo de risco as pessoas que estiveram num dos países afetados pelo surto. Com o aval médico, o paciente passa ser um caso suspeito. Em seguida, é realizado um exame do vírus influenza com a secreção do nariz do possível infectado. Se o resultado for positivo, o paciente passa a ser um caso provável de gripe suína. Um novo teste é realizado, dessa vez um específico ao tipo de gripe suína, que confirmará ou não a suspeita.
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Universia - Quando confirmada a suspeita do vírus, o que é recomendado fazer?
Celso Granato - A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda que as pessoas infectadas não saiam de casa e evitem aglomeração. É necessário, a princípio, isolamento, repouso e ingestão de líquidos. Cobrir as mãos e o nariz ao espirar ou tossir também é uma medida necessária. As mãos devem ser lavadas com freqüência.
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Universia - A burocracia do diagnóstico não pode prejudicar o tratamento?
Celso Granato - Não há dúvidas que a demora do diagnóstico pode inclusive atrapalhar a recuperação dos contaminados. Por esse mesmo motivo, inclusive, que o tratamento não depende do resultado final dos exames. Embora o processo seja seguido até o final, já na avaliação médica o tratamento é iniciado. O CDC (Centro de Controles de Doenças na sigla em inglês - é um órgão do governo dos Estados Unidos) recomenda que a doença seja tratada com o medicamento Tamiflu.
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Universia - Onde procurar o tratamento? Ele é caro?
Celso Granato - Os tratamentos devem ser realizados num dos 51 hospitais de referências espalhados por todos os Estados do País e no Distrito Federal. As instituições, designadas pelo Ministério da Saúde, possuem estrutura para detectar de forma precoce os sintomas da doença e estabelecer o tratamento. É importante ressaltar que o remédio só será encontrado num desses hospitais, já que a medicação foi retirada das farmácias e está sob controle do poder público. O tratamento, apesar de ser caro, está sendo subsidiado - a princípio - pelo poder público.
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Universia - O risco de morte de pacientes com a gripe suína é grande?
Celso Granato - A tendência, quando se instala uma nova epidemia, é exaltar e superestimar mais os casos graves. Inicialmente, a gripe suína parecia ser mais mortal. Os resultados apontavam que seis em cada 100 pessoas morriam pela contaminação do vírus. O número é muito maior do que o habitual, já que em cada 100 casos da gripe convencional menos de que uma pessoa morre. Hoje, no entanto, os dados são mais equivalentes. Estima-se que o vírus influenza A - H1N1 tenha mortalidade de 1% ou 2%. Portanto, provavelmente esta gripe não é mais grave do que as demais. Isso, porém, não significa que as pessoas devam deixar de tomar as medidas preventivas.
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* O Ministério da Saúde capacitou os atendentes do Disque Saúde para tirar dúvidas sobre a gripe suína. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 0800-61-1997.
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