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Guia do calouro

Dê os primeiros passos certos para usufruir ao máximo da vida na Universidade

Publicado em 01/03/2004 - 02:00

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Curso superior. Novas matérias, novos professores, novos amigos, novas regras, um ambiente diferente - uma outra cultura. É natural que os ingressantes na universidade sintam um friozinho na barriga diante de tantas novidades. A fim de ajudá-los a enfrentar a ansiedade desse momento, o Universia Brasil preparou o Guia do Calouro, com dicas sobre estudos, relações sociais e também um glossário com os novos termos que vão fazer parte do seu vocabulário a partir de agora. (confira as dicas nos links do quadro)

Para esses estudantes, o grande desafio é aproveitar ao máximo o que a vida acadêmica oferece. E duas palavras resumem a estratégia que eles devem adotar para atingir seu objetivo: curiosidade e planejamento.

E, na opinião de Marcos Balbinotti, doutor em Psicologia e coordenador do Núcleo de Orientação Vocacional da Unisinos (Universidade do Vale dos Sinos), buscar o auto-conhecimento é fundamental nessa fase da vida. Ele sugere até que o estudante recorra a um serviço especializado, muitas vezes oferecido pela própria escola em que ele estuda, para auxiliá-lo a descobrir mais sobre si mesmo e sobre seus interesses.

Conheça a sua escola

Saber como funciona a universidade é o primeiro passo para construir uma sólida carreira acadêmica. Informe-se sobre a estrutura da escola para fazer uso de todos os recursos. Visite a biblioteca, os laboratórios, conheça os professores e o chefe do seu departamento.

Verifique quais atividades de ensino, pesquisa e extensão a faculdade realiza. "Na nossa universidade, distribuímos no início do curso aos estudantes que estão entrando o manual do aluno, com todas essas informações", comenta a pró-reitora de graduação da UFC (Universidade Federal do Ceará), Ana Maria Iório Dias.

Converse muito com seus veteranos. Eles podem também dar sugestões importantes sobre o curso e até emprestar material que não utilizam mais.

Organize seus estudos e aprofunde-se

A principal diferença da metodologia de ensino da graduação em relação à do Ensino Médio é exatamente o nível de participação do estudante, maior na Universidade. "O aluno não deve se limitar às informações dadas em classe e sim buscar também outras fontes de pesquisa", afirma Ana Maria.

Planejar os horários de aula e de estudos em casa é essencial, para que não haja um acúmulo de trabalhos e tarefas. Normalmente os professores de cada matéria indicam uma bibliografia de apoio ao curso, com a qual o aluno pode se aprofundar nos assuntos de que goste.

Procure fazer as atividades extras propostas pelo docente e participe também dos debates em sala de aula - isso garante um aprendizado mais rico e duradouro dos conteúdos.

Renata Del Nero, 27 anos, aluna do sétimo semestre do curso de Letras - Tradução e Interpretação na Unip (Universidade Paulista), conta que suas responsabilidades aumentaram muito na passagem do Ensino Médio à graduação. Mas, com determinação, ela venceu esses primeiros obstáculos. "Fui com muita força de vontade e me organizei tentando fazer o melhor possível, não deixando nada para a última hora", diz. "Até hoje, quando tratamos de determinado tema que me desperta algum interesse, procuro ler outras coisas além do que foi dado na Faculdade."

Para a estudante, só o que é dado em classe não é suficiente para garantir a formação adequada do profissional.

Informe-se sobre as atividades do DCE e do CA

"É importante envolver-se com as atividades estudantis promovidas pelo Diretório Central dos Estudantes e pelos Centros Acadêmicos", recomenda Ana Maria. Verifique o que o CA faz, procure conhecer os membros da diretoria para saber de que eventos pode participar. Já as Atléticas organizam times dos mais variados esportes e realizam competições.

Como na sua faculdade não há um CA, a estudante Renata resolveu se candidatar a ser representante de classe para poder participar das atividades políticas universitárias.

Participe de grupos de pesquisa

Fazer pesquisa científica é uma ótima maneira de aprofundar-se nos assuntos aprendidos em sala de aula e, em alguns cursos, especialmente os da área de Biológicas, também significa colocar em prática os conhecimentos adquiridos. Então, procure saber sobre atividades de monitoria, grupos de pesquisa e bolsas que sua universidade tem ou que agências de fomento oficiais concedem, como a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). (para obter mais informações sobre benefícios, clique aqui e visite o canal Bolsas e Financiamentos do Universia)

Renata Del Nero foi monitora acadêmica de Teoria da Literatura por dois anos na Unip. Ela trabalhava esclarecendo dúvidas de alunos mais novos na graduação e auxiliando-os com os estudos. "Essa atividade acrescentou muitíssimo à minha vida acadêmica", considera. "Quando você ensina algo, aprende muito mais. A preocupação em passar a matéria de maneira correta faz com que você estude muito mais e realmente se aprofunde no assunto."

A estudante recebia uma bolsa-auxílio e realizava também atividades de pesquisa. "Eu e a orientadora organizamos um grupo de leitura e de metodologia científica", conta, sugerindo aos calouros que façam amizade com os professores para estar sempre por dentro das oportunidades que surgem. "Tudo o que apareceu de bom para mim na Faculdade foi por indicação deles."

A pró-reitora de graduação da UFC orienta os alunos a ficarem atentos aos editais que a coordenação do curso e as chefias de departamento publicam avisando sobre financiamento a projetos de pesquisa e bolsas disponíveis. "Às vezes acontece de o universitário, por estar no início do curso, não poder receber uma bolsa. Mas ele pode participar como assistente, ir se iniciando no trabalho, e, quando houver uma seleção, ele pode concorrer com mais firmeza", diz ela.

"A carreira acadêmica nasce de uma pergunta inicial que durante todo o processo educacional vai sendo respondida, mas não de forma integral. Essa questão nos estimula a tentar encontrar a integralidade de uma resposta, e isso se torna um motivador para alguém seguir uma carreia acadêmica", resume o professor Marcos Balbinotti.

Procure um estágio

Na opinião de Ana Maria, o aluno deve em qualquer período da sua graduação buscar vivências profissionais fora da Universidade. Mas desde que isso não atrapalhe os estudos. "Se prejudicar, é melhor que ele prefira terminar logo o curso, pois este mesmo vai cuidar de fazer a relação teoria e prática", ressalva.

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