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Marcela Panzetti tem 19 anos e é moradora de Indaiatuba, interior de São Paulo.
Está no 3º semestre de Educação Física na PUC-Campinas (Pontifícia Universidade Católica da Campinas) e é tricampeã brasileira e hexacampeã paulista de... luta de braço. Isso mesmo, luta de braço! Você pode achar estranho, mas para Marcela a luta de braço sempre fez parte do dia-a-dia. "Meu pai praticou luta de braço desde os 15 anos, assim como minha mãe. Cresci nesse esporte e convivi em campeonatos", conta.
A estudante luta e participa de campeonatos desde os 12 anos e diz que pegou amor pelo esporte justamente pela convivência. Os campeonatos são separados por idade, peso, sexo e braço (direito e esquerdo). Marcela luta com ambos os braços, mas, em 2005, foi campeão brasileira apenas do braço direito. No ano passado, ganhou as duas categorias, tanto com o esquerdo como com o direito.
"Quem ganha o campeonato brasileiro é convocado para participar do mundial. Como não ganhei direita e esquerda, estou esperando uma resposta para ver se eu sou convocada para ir ao mundial", explica Marcela. A aluna da
PUC-Campinas já participou de dois mundiais e em um deles ficou em quarto lugar do braço direito.
Essa questão de braços diferentes pode parecer engraçada, mas, na realidade, o atleta escolhe com qual vai disputar. "Normalmente, as pessoas disputam com os dois, até pelo corpo ser simétrico. Se você treina o direito, vai treinar o esquerdo também, senão fica desproporcional. Mas todo mundo fala que tem uma facilidade muito maior no direito, até pela maioria ser destra", conta Marcela.
Treinamento
A atleta treina três vezes por semana. "Dois dias por semana fazemos musculação, com treinos específicos de força para o braço. Treinamos exatamente o que vamos usar na luta de braço, tanto que os aparelhos são diferentes, adaptados para essas situações ", descreve.
Ao final da musculaçãoé feito um pequeno treino de técnica. O terceiro dia é inteiramente dedicado à treino de mesa, ou seja, simulando jogos entre os companheiros - como um coletivo, no futebol.
Esporte
Segundo Marcela, o esporte está bastante valorizado hoje em dia, além de reconhecido. "O governo tem um montante dedicado para o esporte e a luta de braço,
ainda bem, consegue um pouco dessa verba para os atletas poderem viajar", ressalta.
A atleta lembra ainda que o esporte cresceu muito e se desvinculou da imagem de ser brincadeira e esporte de bar, principalmente para as mulheres. "Tem ainda preconceito, mas é muito pouco. A cada ano cresce o número de mulheres, até meninas novas, de 14, 15 anos, que estão entrando também", observa Marcela.
Por enquanto Marcela ainda não sabe em qual área da Educação Física vai trabalhar, mas, atualmente, trabalha com recreação em uma escola. "Ainda não dá para saber de qual área você vai gostar mais, porque tudo é novo na faculdade. Estou gostando muito de recreação, mas não necessariamente seguirei nessa área", pondera.
Para aqueles que pensam em praticar luta de braço, a estudante dá um conselho: concentração é fundamental. "Concentro tanto que apago o que está em volta, não escuto. Penso só ali no jogo", conta Marcela.
Vale ressaltar que a atleta é patrocinada pela PUC-Campinas, através da "Bolsa estímulo ao atleta".
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